Em uma operação realizada nesta sexta-feira (15), das 12h às 15h30, a polícia do Pará encontrou 14 jovens, que eram obrigadas a trabalhar como prostitutas em boates na sede de Altamira, município do sudoeste do Pará. Homens das Polícias Civil e Militar, e do Corpo de Bombeiros, acompanhados por conselheiros tutelares, estiveram em cinco estabelecimentos. Quatro tinham alvarás de funcionamento, mas estavam com os prazos vencidos, por isso acabaram fechados. As jovens foram encontradas em três locais, e depois levadas para a sede da Superintendência, em Altamira.
A delegada Thalita Feitoza, da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), abriu inquérito para apurar suspeitas de tráfico interno de pessoas para exploração sexual.
Ainda pela manhã, uma comitiva do Governo do Estado chegou a Altamira para acompanhar as investigações sobre o esquema de tráfico de pessoas desarticulado na região, e prestar atendimento social e psicológico às mulheres, à adolescente e ao travesti, que foram resgatados da boate Xingu, no município de Vitória do Xingu, na noite de quarta-feira (13).
A comitiva foi formada pelas delegadas Christiane Lobato, delegada geral adjunta, e Simone Edoron, diretora de Atendimento a Grupos Vulneráveis, da Polícia Civil; pelo titular da Secretaria de Estado de Assistência Social, Heitor Pinheiro, e pela coordenadora do Comitê e Assessora das Políticas Temáticas dos Direitos da Criança e Adolescente, da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos, Leila Silva.
O delegado Cristiano Nascimento, superintendente regional do Xingu, informou ao grupo que o advogado do suspeito de ser o dono da boate Xingu, um homem identificado até agora como Adão, disse que apresentaria o cliente ainda nesta sexta-feira à Polícia Civil em Altamira, para prestar depoimento no inquérito policial. Mas, até o início da noite, o suspeito não foi apresentado.
Acusações - Adão é acusado de manter em cárcere privado e submeter a ameaças três mulheres, uma adolescente e um travesti, que se prostituíam no local. Todos disseram que não recebiam alimentação e eram forçados a fazer programas sexuais para pagar as despesas na boate.
As vítimas são oriundas de Estados do Sul do Brasil. As mulheres são de três cidades de Santa Catarina. Já o travesti é do interior do Paraná, e a adolescente é natural de Maraú, no Rio Grande do Sul. A garota usava a Carteira de Identidade da irmã, que é mais velha e tem o rosto muito parecido com o dela.
Dois homens apontados como gerentes da boate foram presos em flagrante, na noite de quarta-feira passada (13). Naturais do Rio Grande do Sul, eles foram autuados por tráfico de pessoas para exploração sexual, e estão presos em Altamira. O flagrante foi confirmado pela Justiça.
A boate teve as atividades suspensas. As jovens foram levadas para abrigos municipais em Altamira, sob a proteção do Estado, e deverão ser recambiadas a seus Estados. A adolescente está sob os cuidados do Conselho Tutelar.
Em depoimento, a adolescente alegou que foi aliciada em Santa Catarina para vir ao Pará, com a promessa de ganhar R$ 14 mil por semana em programas sexuais. Mas, ao chegar ao Estado, foi levada para a zona rural de Vitória do Xingu, onde era mantida em um quarto, com a porta trancada pelo lado de fora.
Após o flagrante, denúncias de que havia mais mulheres na área onde fica a boate levaram a Polícia Civil a retornar ao local e fazer uma varredura. Os policiais civis, tendo à frente o delegado Lindoval Borges, de Vitória do Xingu, encontraram no local que servia de alojamento mais 13 mulheres, que seriam funcionárias da boate. Onze são gaúchas, uma é de Goiás e a outra é paraense, nascida no município de Redenção, no sul do Estado. Elas foram levadas para Altamira, para prestar depoimento à Polícia Civil.
Operação - Nesta sexta-feira, os policiais fiscalizaram cinco boates na sede do município, cadastradas pela Divisão de Polícia Administrativa (DPA), para apurar denúncias de que seriam prostíbulos, inclusive com a participação de adolescentes em programas sexuais.
Os agentes revistaram os locais, onde estavam apenas funcionários. Só em uma das boates havia as condições estruturais e os documentos de acordo com a lei. Nos demais estabelecimentos foram encontradas irregularidades. “Quatro delas estavam com os alvarás vencidos e sem o habite-se do Corpo de Bombeiros, por isso tiveram as atividades suspensas”, explicou a delegada Simone Edoron.
Em três boates foram encontradas as jovens que se prostituíam. Segundo a delegada, havia indícios de prática de rufianismo, que é a exploração financeira da prostituição pelos donos dos estabelecimentos.
A maioria das jovens, entre elas um travesti, está na faixa etária de 19 a 23 anos, e é procedente de outros municípios paraenses, como Marabá, Santarém e Rondon do Pará. Há uma jovem de Rondônia, e outra de Goiás.
A delegada Thalita Feitoza já ouviu todas as mulheres encontradas nas boates, para apurar a denúncia de tráfico de pessoas para exploração sexual. O inquérito tem prazo legal de até 30 dias, podendo ser prorrogado pelo mesmo período, se houver necessidade para a conclusão das investigações.
(Agência Pará)
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