Na tarde desta segunda-feira (18), a rotina do aposentado Newton Portal Trindade, 71 anos, foi interrompida. Acostumado a andar de bicicleta pelas ruas de Belém, o idoso foi atropelado por um caminhão de uma cervejaria, enquanto pedalava pela rua Barão de Igarapé-Miri, em frente a uma escola particular no Guamá. De acordo com testemunhas, a vítima seguia pelo meio da pista, em direção à avenida José Bonifácio, quanto se desequilibrou entre um ônibus e o caminhão e acabou caindo para debaixo do veículo da cervejaria.
“Foi tudo muito rápido. Não teve como o nosso motorista evitar o acidente. A gente seguia em velocidade baixa, até porque estava próximo de uma lombada, quando notou que o idoso tentou passar entre os dois veículos. E aí não teve jeito. Ele acabou se desequilibrando e caindo para debaixo da roda do caminhão”, revelou o ajudante de entrega José Melo Costa, que seguia na boleia do caminhão no momento do acidente.
O idoso teve todo o tronco dilacerado e ficou preso embaixo da roda do carro, ao lado da bicicleta e com o rosto contraído com o asfalto. A dificuldade para se fazer a perícia na vítima fez com que a equipe de peritos do Instituto Renato Chaves pedisse a ajuda do Corpo de Bombeiros, que usou equipamentos, entre eles um macaco, para elevar o veículo e retirar o corpo do homem sem maiores danos à perícia. “O objetivo do trabalho dos bombeiros, de um modo geral, é fazer com que a vítima seja retirada debaixo da roda do carro sem que ela seja mais dilacerada ainda e comprometa o nosso trabalho, fundamental para descobrir as reais causas do acidente”, afirmou uma perita do IML.
Para alguns moradores do bairro que testemunharam o atropelamento, a falta de atenção da vítima e as condições precárias da bicicleta podem ter sido a causa do acidente. “Eu conhecia esse senhor de vista e sei que ele costumava passar quase todos os dias por aqui. As péssimas condições da bicicleta dele, como pneus muito gastos e falta de freio, foram as maiores causas desse acidente. Fora isso, ele também circulava bem no meio da rua, algo completamente arriscado e perigoso, principalmente para um homem na idade dele”, comentou o funcionário de uma oficina de bicicletas.
O filho da vítima também esteve no local. Segundo ele, o idoso era acostumado a andar de bicicleta por várias ruas da cidade e nunca tinha se envolvido em um acidente. “O meu pai mora aqui mesmo no Guamá e há muito tempo usa a bicicleta como meio de transporte. Eu ainda não estou acreditando no que aconteceu. Ele sempre foi muito cuidadoso, sempre prestou atenção no trânsito. Jamais imaginei que uma fatalidade dessas ia acontecer”, afirmou o filho da vítima, que muito abalado preferiu não se ter o nome revelado.
O acidente revoltou alguns moradores do bairro, que disseram que no local não existe fiscalização de órgãos de segurança no trânsito. “Esse não é o primeiro e não vai ser o ultimo atropelamento que aconteceu aqui em frente a essa escola. Enquanto as escolas do centro estão cheias de guardas de trânsito para orientar as pessoas, a gente da periferia fica nesse abandono. Temos várias escolas aqui na Barão de Igarapé-Miri e nenhuma tem faixa cidadã e muito menos a presença de agentes de segurança. Se tivesse mais fiscalização, essa morte poderia ser evitada”, denunciou uma moradora.
Agentes de trânsito da Autarquia de Mobilidade Urbana de Belém (Amub), antiga CTBel, também estiveram no local acompanhando o trabalho da perícia, mas não quiseram comentar a denúncia dos moradores. O motorista do caminhão, que não teve o nome revelado pela polícia, foi encaminhado para a Seccional Urbana do Guamá e deve responder por homicídio culposo, ou seja, quando não há intenção de matar.
(Diário do Pará)
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