“A violência só faz aumentar. A cada dia parece que mais pessoas morrem. A gente fica com medo até de sair de casa. Eu saio pro trabalho porque é preciso, saio da minha casa às 5h30 e chego 20h30, são horários em que a gente já tem receio de estar na rua e acontecer algo de ruim com a gente”. Este é o relato de uma pessoa que prefere não se identificar com medo da violência que atinge não só Belém, mas toda a Região Metropolitana.
O número de homicídios nos primeiros 45 dias do ano de 2013 na RMB chamou a atenção da população, que vive com medo. Do dia 2 de janeiro até ontem (18) 115 homicídios foram registrados pelas reportagens do caderno Polícia, do jornal DIÁRIO DO PARÁ.
De acordo com dados divulgados pela Delegacia Geral houve redução no número de homicídios na RMB. Nos primeiros dois meses de 2010, foram registrados 166 homicídios na região, ano em que, segundo o Delegado Geral Rilmar Firmino, foi o que “considera o auge dos homicídios, com 1.490 durante o ano”. Em 2011 este número reduziu para 121 nos dois primeiros meses, tendo um aumento de 10 homicídios no ano de 2012. Os dados de 2013 ainda não foram contabilizados.
Vingança, rixas, crimes passionais, latrocínios e o tráfico de drogas são motivos que geram o homicídio. O que para o Delegado Geral, torna a prevenção de homicídios, especificamente, mais difícil. “O homicídio ocorre, por exemplo, em uma festa e quando há uma discussão as pessoas partem pra agressão, o que pode resultar no homicídio, por exemplo. Por ter várias motivações há a dificuldade de saber onde e como irá acontecer”, relata Firmino.
Os homicídios, segundo estatísticas da Delegacia Geral, costumam ocorrer em bairros periféricos, geralmente no final de semana e a idade tanto dos autores como das vítimas fica entorno de 18 a 24 anos.
Como medidas de prevenção para esse crime, o comandante de Policiamento da Capital, Roberto Campos, afirma que a prevenção está se realizando de maneira integrada a outros órgãos de segurança. “Estamos realizando várias operações em bares, festas, atuando com outros órgãos, além das rondas permanentes”, afirma.
A questão da falta de segurança e do número alarmante em homicídios ocorridos nos últimos dias também surpreende até aqueles que têm a violência como estudo de caso. “Existe o desejo de se fazer uma política de segurança pública adequada. Mas diferente do desejo é a concretização dele. O quadro de segurança pública ainda deixa muito a desejar em matéria de planejamento e de como realizar”, afirma Raul Navegantes, cientista político especialista em violência urbana.
Para ele, dois eixos na segurança pública devem ser revistos. O primeiro é a forma de integração que está sendo feita entre a Polícia Civil e a Polícia Militar. Navegantes afirma que para se ter melhores resultados a abolição da Polícia Militar, criada durante a ditadura de 64, seria o primeiro passo já que a integração tão falada quase não existe. E o segundo e mais importante é o controle de armas. “Hoje em dia a facilidade de se conseguir uma arma de fogo é enorme. O controle da violência não deveria estar no controle do homicídio e sim no controle de armas. Sem armas haveria menos roubos, sequestros e os homicídios não se concretizariam. É preciso investir muito nesse controle”, diz.
Quanto ao número de pessoas mortas nestes 45 primeiros dias de 2013 Raul é taxativo. “É inaceitável. Absolutamente inaceitável. É um escândalo que se chegue a esse ponto de barbaridade. Está se matando gente como se mata em uma guerra”, pontua.
(Diário do Pará)
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