A Rua Carlos Prestes, no Loteamento Olga Benário, bairro de Águas Lindas, outra vez, em menos de uma semana, é cenário de assassinato com aparentes características de execução por envolvimento das vítimas com o tráfico de drogas. Francisco Sidcley Lopes Moura, conhecido por “Chico”, 21, foi morto com seis tiros, logo após comer um churrasco. Por ser um local de constantes execuções, a lei do silêncio prevaleceu na cena do crime.
O crime foi no final da noite da última terça-feira (19) e de acordo com a polícia, “Chico” foi abordado por dois homens ainda não identificados que estavam em uma motocicleta. A placa e modelo do veículo também não foram identificados.
O sargento da Polícia Militar Leonardo de Souza, da viatura 8120, da 19ª Área Integrada de Segurança Pública (Aisp) / 6º Batalhão de Polícia Militar (BPM), contou que a vítima era envolvida com o tráfico de drogas.
“Segundo testemunhas, o rapaz estava comendo um churrasco quando dois homens em uma motocicleta chegaram e efetuaram pelo menos seis disparos contra ele, o executando instantaneamente. Quando chegamos ao local não havia mais nada que pudesse ser feito. Ele era viciado em drogas e possivelmente tinha alguma dívida com traficantes daqui da área”, disse.
SUMIÇO
Conforme declarações da companheira dele, identificada por Kátia Dayane, “Chico” estava morando no município de Benevides, onde teria passado pelo menos três meses. Ele teria retornado no último domingo para o bairro.
Para a polícia, o sumiço de Águas Lindas teria envolvimento com a suposta dívida com o tráfico. Quitada com a própria vida.
“Ele não estava morando em Águas Lindas. Passou três meses em Benevides, mas as dívidas dele ficaram por aqui. Provavelmente ele ficou devendo e ao retornar, acabou morto por traficantes”, falou.
PERÍCIA
Uma equipe de policiais civis da Divisão de Homicídios (DH), sob o comando do delegado Eduardo Rollo, foi ao local do assassinato para levantar informações sobre as circunstâncias do caso.
Os peritos do Instituto de Criminalística (IC) do Centro de Perícias Científicas (CPC) “Renato Chaves”, composta por Gilberto Almeida e Sandro Lemanski, realizaram o levantamento de local de crime.
Após a conclusão da perícia na cena do homicídio, os peritos constataram seis entradas de tiro no corpo da vítima.
“Ele foi atingido por seis disparos. Duas foram nas costas, duas nos braços, sendo um tiro em cada lado, um na nuca e nas nádegas. Possivelmente os tiros nos braços foram porque ele tentou se defender. Duas balas ficaram alojadas no corpo. Uma no tórax e outra no abdômen”, explicou o perito criminal Gilberto Almeida.
A arma utilizada no crime pode ter sido um revólver calibre 38. Após a perícia, o corpo de “Chico” foi removido para o Instituto Médico Legal (IML).
TERROR
Os moradores, de certa forma, acostumados com homicídios, baleamentos, tentativas de execução e tráfico de drogas, temem dar maiores detalhes sobre casos como este. Por conta do alto índice de crimes naquela área, a lei do silêncio prevalece, mas atrapalha a polícia.
“O cidadão de bem que vive por aqui tem medo de dar informações sobre casos semelhantes a este. Aqui é um local onde o tráfico de drogas é intenso. Essas pessoas que tem informações sobre traficantes, homicidas, entre outros crimes, podem fazer denuncias anônimas através do 181 (Disque Denúncia)”, enfatizou o sargento PM Leonardo de Souza.
(Diário do Pará)
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