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POLÍCIA

Paraense pode ter sido assassinada por ex marido

Era mais ou menos 6h30 da última quinta-feira (21), quando o telefone de Nádia Cardoso dos Reis tocou e veio a notícia: a filha Rosângela estava morta. O triste comunicado foi feito pelo ex-marido da jovem, Charles Jants, com quem morava há 18 anos na

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Era mais ou menos 6h30 da última quinta-feira (21), quando o telefone de Nádia Cardoso dos Reis tocou e veio a notícia: a filha Rosângela estava morta. O triste comunicado foi feito pelo ex-marido da jovem, Charles Jants, com quem morava há 18 anos na cidade de Paramaribo, no Suriname. Nádia acredita que Charles seja o culpado pelo assassinato da filha, mas até agora, a mãe da paraense não obteve nenhuma outra informação se de fato ela está morta e as circunstâncias que teria acontecido o crime.

Rosângela residia naquele país há pelo menos 20 anos. Ela teria sido vítima de tráfico humano. Conheceu Charles, que a libertou da prostituição, pagando uma possível dívida entre a máfia, e casou-se com o surinamês, com quem teve cinco filhos nos últimos 18 anos. Eles estavam separados recentemente, uns quatro meses atrás.

Em depoimento à Polícia Civil paraense, Nádia disse que recebeu duas ligações do ex-genro. A primeira no dia 19, Jants teria dito que Rosângela estava no CTI, porque tinha sido espancada pelo atual namorado.

No dia seguinte, o surinamês entrou em contato novamente com a mãe da ex-mulher apresentando outra versão. Ele teria dito que a jovem estava internada em estado grave, vítima de agressão física recebida por alguns assaltantes no momento em que ela se negou a apontar onde estaria a chave de um possível cofre do ex-marido. Os empregados de Charles viram Rosângela e comunicaram ao homem que a socorreu até o hospital.

Na manhã de quinta-feira, Charles ligou para a família de Rosângela, que mora no bairro da Cremação, em Belém, e disse que ela havia morrido.

Segundo a delegada Sandra Veiga, em depoimento, Nádia, mãe de Rosângela disse à polícia, “o ex-marido da filha é o principal suspeito pelo fato, pois com a separação, ele teria ficado com os filhos e com todos os bens do casal”.

No mesmo dia da ligação, por volta das 11h, Nádia compareceu à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM). Imediatamente, através da diretora da delegacia, delegada Alessandra Jorge, alguns órgãos competentes como Secretaria de Estado de Assistência Social e o Consulado brasileiro foram informados sobre o caso. “Com a denúncia do familiar, tomamos conhecimento, fizemos a ocorrência e encaminhamos aos órgãos competentes. Já que não temos polícia internacional, o único meio de buscar informações a respeito do paradeiro da paraense, é através do consulado, que deve tomar as providências.

Quanto à questão do possível tráfico humano onde Rosângela teria sido vítima, como a mãe dela conta, a Polícia Federal também já tomou conhecimento e assumirá as investigações. Iremos apenas acompanhar o caso”, explica Sandra Veiga, delegada da DEAM.

VOLTA

Na sexta-feira passada, a reportagem do DIÁRIO entrou em contato com Nádia, porém, ela disse apenas que teria ido ao consulado e que lá, seria feito o contato com o Itamaraty, em Brasília, e tomariam as providências. Neste caso, a polícia do Suriname é quem deve ficar à frente das investigações, entretanto, não se sabe de que forma a polícia estrangeira irá proceder.

A mãe da paraense foi contatada ainda durante a tarde de ontem, mas dessa vez, ela mudou de ideia e se recusou a falar mais sobre o assunto.

A luta da família agora é tanto sobre informações reais do caso, como a possibilidade de trazer o corpo da paraense para o Estado, assim como a guarda dos cinco filhos de Rosângela.

A delegada Sandra esclareceu que o transporte do corpo de Rosângela custa caro, por outro lado, ainda deve ser avaliado a cidadania da paraense, uma vez que ela construiu família em Paramaribo.

A coordenadora de Direitos e Proteção dos trabalhadores Rurais e de Combate ao Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas afirmou que, enquanto tudo não for esclarecido, o corpo da paraense não poderá ser devolvido para a família.

(Diário do Pará)

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