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POLÍCIA

Mototaxista denuncia abuso de poder da Rotam

Ontem pela manhã, familiares de um jovem mototaxista, morador do município de Marituba, Região Metropolitana de Belém, procuraram a reportagem do DIÁRIO para denunciar supostos abusos de poder praticados por policiais militares da Ronda Ostensiva Tática M

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Ontem pela manhã, familiares de um jovem mototaxista, morador do município de Marituba, Região Metropolitana de Belém, procuraram a reportagem do DIÁRIO para denunciar supostos abusos de poder praticados por policiais militares da Ronda Ostensiva Tática Metropolitana (Rotam) naquela cidade. O rapaz, que prefere não ser identificado, teria recebido uma surra dos PMs na tarde de anteontem (04), durante uma abordagem feita pelos policiais na residência de um amigo do jovem, ao ser confundido com o envolvimento no mundo do crime. A vítima afirma ter sido tratada de forma violenta, com socos, pontapés, além de ter a motocicleta apreendida, a sandália cortada e ainda o celular supostamente roubado e o chip do aparelho quebrado por aqueles policiais.

O rapaz contou com exclusividade ao DIÁRIO que as sessões de violência aconteceram por volta das 14h30, dentro da casa de um amigo, no bairro do Beija-Flor. “Eu estava esperando a minha namorada na casa desse meu amigo quando eles [policiais] invadiram procurando droga e um tal de ‘Sorriso’, que eu nem conheço. Reviraram tudo, como não encontraram, começaram a me bater para que eu falasse onde ‘tava’ escondida a droga. Eles queriam dinheiro também. Não sabia de nada, não ‘tava’ fazendo nada”, relata a vítima. “Estou todo ‘quebrado’. Eles me bateram muito. Mal consigo mexer meu pescoço”, revelou a vítima, apontando os hematomas nos braços, pernas, nuca, costas e pulso.

Após a procura ter sido frustrada, as agressões verbais e físicas cessadas, a abordagem acabou na detenção do mototaxista e do amigo, dono da casa. Os PMs levaram a dupla até a Seccional Urbana de Marituba. Lá, os policiais civis verificaram o histórico e a situação criminal dos rapazes e, não havendo nada que os comprometesse, eles foram liberados.

INOCÊNCIA

A mãe do mototaxista foi comunicada por volta das 21h que o filho estaria preso. Ao chegar à delegacia, informaram que já havia sido liberado, porém a moto não poderia ser resgatada da seccional antes que fosse verificada a situação legal do veículo. Somente no dia seguinte, ontem pela manhã, a comerciante, munida de todos os documentos necessários, conseguiu recuperar a motocicleta. “Nada dentro de casa é roubado. Tudo é comprado com muito suor, com muito trabalho. Meu filho não é ladrão, não é traficante e nunca foi preso. O meu filho estuda e trabalha. Essa moto comprei de ‘segunda mão’, paguei R$ 3 mil à vista por ela, só para ele [filho] trabalhar honestamente e comprar sua roupa e seu calçado”, ressalta.

Ainda revoltada pela situação à qual o filho foi submetido, a mulher denuncia o tratamento daqueles policiais. “Se ele realmente tivesse sido pego com alguma coisa ou fazendo algo de errado, eu viria aqui de qualquer forma, mas jamais iria ‘passar a mão na cabeça’ dele. Ele assumiria e pagaria pelo que tivesse feito. Mas, já que ele não fez nada disso, como o próprio delegado disse, por que fizeram isso com meu filho? Ele nunca apanhou em casa desse jeito e vai apanhar na rua sem motivo? Por que não me deixaram fazer a ocorrência contra os policiais? Por que ainda levaram o celular dele e quebraram o chip?”, questiona.

A mulher acrescentou que teria perguntado quais os nomes dos policias da Rotam envolvidos em tal abordagem, porém os policiais civis não disseram.

VERSÃO

O delegado James Souza informou à reportagem que a equipe de PMs da Rotam apresentaram naquela tarde três rapazes, um deles foi autuado por tráfico de drogas, pois havia sido flagrado com certa quantidade de entorpecente. Outros dois rapazes teriam sido liberados porque não estariam cometendo crime algum, sendo que um deles o delegado disse já possuir passagem pela polícia, porém o último, que seria o mototaxista, realmente foi liberado por não dever nada à Justiça, não ter sido flagrado cometendo nenhum crime e, sobretudo, nunca ter sido preso. Questionado a respeito dos nomes dos PMs envolvidos na abordagem, James preferiu não informar.

CORREGEDORIA

No ano passado, a Corregedoria da Polícia Militar do Estado recebeu 1.084 denúncias contra policiais exercendo de forma arbitrária a função. Dentre esses registros, os crimes praticados foram de agressão física, abuso de autoridade, ameaça, violação de domicílio e constrangimento ilegal. Desse total, 35 policiais foram afastados do cargo.

Assim que for comunicada formalmente a denúncia dos familiares do mototaxista à Corregedoria da Polícia Militar, o caso será investigado com rigor. Denúncias devem ser feitas na Divisão de Crimes Funcionais (Decrif), anexada à Corregedoria Geral de Polícia, localizada na av. Magalhães Barata, em frente aos Correios.

(Diário do Pará)

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