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POLÍCIA

Líder comunitário diz que é perseguido

Há algo de muito puro ou de muito podre no pacato reino do conjunto Gleba II, na Marambaia, onde fica localizado o Centro Comunitário Tiradentes, presidido por Luiz Roberto Carvalho da Silva, cuja sede foi o local onde estavam oito caixas de cigarro rouba

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Há algo de muito puro ou de muito podre no pacato reino do conjunto Gleba II, na Marambaia, onde fica localizado o Centro Comunitário Tiradentes, presidido por Luiz Roberto Carvalho da Silva, cuja sede foi o local onde estavam oito caixas de cigarro roubados na manhã de segunda-feira (11), de uma van a serviço da empresa Souza Cruz, delito pelo qual Luiz fora preso em flagrante pelo crime de receptação. O suspeito procurou o DIÁRIO e declarou que é alvo de perseguição pelos bons serviços que presta à comunidade, enquanto que denúncias anônimas afirmam que o empresário na verdade utiliza-se da função comunitária para mascarar atitudes ilícitas.

A van fora roubada no município de Santa Izabel. A carga subtraída está avaliada em cerca de R$ 30 mil, e fora comprada por ele, segundo ele mesmo, por R$ 10 mil, no entanto, Luiz afirmou que não sabia que a mercadoria havia sido roubada. Instantes depois de chegar ao centro comunitário com a carga, a guarnição do sargento Araújo, do 1º BPM, 3ª CIA, fez a abordagem após receber denúncia de um funcionário da Souza Cruz, que por sua vez alegou que recebera informações de uma pessoa da própria comunidade de que a carga roubada estaria lá. Até aqui, são fatos que denunciantes e denunciado concordam. Só até aqui, porém.

CONTRADIÇÕES

Segundo o sargento Araújo, ao chegar ao centro comunitário dois homens foram encontrados, sendo que um deles seria Luiz e o outro supostamente fugiu. Durante a fuga o líder comunitário supostamente pulou o muro, caiu, machucou a testa e fora detido em seguida. Os próprios comandados do sargento levaram-no até o hospital.Com curativo na testa e o rosto inchado que mal o permitiam que o presidente pronunciasse as palavras corretamente afirmou que a lesão é fruto de uma coronhada. No auto de prisão em flagrante delito, nem suspeito e nem policial citaram o machucado ou o outro suspeito. O DIÁRIO tentou falar com o sargento, sem sucesso. O detalhe é que todo o muro do centro comunitário é protegido por cerca elétrica, que, Luiz alega ter comprado com o próprio dinheiro.

Dinheiro que, inclusive, seria adquirido por ele de forma lícita, com a própria empresa da área da construção civil que ele alegou possuir. Mas Luiz não soube explicar porque um empresário do ramo da construção civil estaria interessado em investir R$ 10 mil em cigarros. “´É que eu também tenho uma loja de confecções”, argumentou. Outra informação desencontrada foi a de que na verdade ele nem chegou a ser preso em flagrante. O que é mentira, embora o crime seja afiançável e ele tenha tido liberdade na mesma noite. Também não explicou como a carga fora por ele adquirida poucas horas depois do roubo ocorrer, e ainda em Santa Izabel.

CRISTO OU JUVENAL?

Duas ligações anônimas feitas à redação do DIÁRIO pediram que caso seja investigado mais a fundo. Segundo as denúncias, a vida pregressa de Luiz é ainda mais manchada. Abuso sexual que ele praticaria no quarto com refrigeração que ele mantém no centro comunitário e até mesmo articulação e execução de roubos seriam planejados de lá. Segundo os denunciantes o Centro comunitário seria na verdade um Quartel General para o homem classificado por um dos denunciantes como “Juvenal Antena da Marambaia”. Juvenal foi personagem de Antônio Fagundes no folhetim global “Duas Caras”, um líder comunitário que fundou, governou e viveu dos louros da favela Portelinha.

“Infelizmente há muitas pessoas que não me suportam. Eu faço benefícios à comunidade com meus próprios recursos. Se forem lá no conjunto verão a praça e a quadra pintadas com meu dinheiro. Eu ajudo muito as pessoas que precisam também. Por isso há aqueles que querem me derrubar”, argumentou o suspeito, que se diz vítima de perseguição política. Entretanto, ele nada falou a respeito de manter um quarto refrigerado e com cama no prédio que, em tese, é comunitário. “Podem me investigar. Minha vida é limpa”, afirmou.

O conjunto Gleba II não é exatamente uma favela, ao contrário. Famílias de classe média habitam o residencial da Marambaia sem muitos problemas de infraestrutura. O caso é presidido pelo delegado Ronaldo Hélio, da Seccional Urbana da Marambaia.

(Diário do Pará)

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