Corpos de pescadores arremessados por forte onda da embarcação Palheta de Ouro para o mar, na quarta-feira (13), foram encontrados na manhã desta sexta-feira (15), às margens da ilha do Tucundeua, em Boa Vista, após busca do Corpo de Bombeiros, desde quinta-feira (14). Após 11 dias, eles estavam de volta do alto mar para São João de Pirabas.
O acidente ocorreu às 8h, quando os quatro tripulantes, Raimundo da Fonseca, 45 anos, seu filho Adilton da Fonseca, 19 anos, e seus sobrinhos Zares Souza da Fonseca, 27 anos, e Raimundo Souza da Fonseca, 34 anos, estavam na popa da embarcação com capacidade para seis toneladas e foram surpreendidos por uma onda, que atirou os quatro para a água.
Raimundo da Fonseca contou que não tiveram tempo para nada diante de tamanho impacto. “Quando vimos, já estávamos sendo jogados para a água e de lá ninguém mais teve controle, porque a maré era muito braba. Meu filho tentou nadar para procurar uma embarcação, mas só fez se perder de nós”, contou Raimundo, que foi resgatado por um barco de passageiros às 13h daquele dia e seu filho, às 14h, por outros pescadores.
Os dois sobrinhos do comandante da embarcação não sobreviveram. Levados pela maré, os dois não foram mais vistos pelo tio pouco depois do acidente. “Por mais que se tentasse, ninguém tinha chance de ajudar o outro, naquele mundo de água, com ondas que nunca tinha visto igual”, revelou Raimundo, habituado a pescar em alto mar há pelo menos sete anos e que, após o trauma, está pensando em mudar de profissão. “Foram dois entes da minha família de uma só vez. É muito difícil pensar em encarar novamente uma situação como essa, e o mar, sabe como é que é, ninguém pode prever o que tem pela frente”, concluiu o pescador.
Os corpos dos irmãos Zares e Raimundo chegaram em processo de decomposição ao porto de São João de Pirabas, às 12h de ontem, quando foram conduzidos para o Instituto Médico Legal, em Castanhal, para exame cadavérico. Após a liberação, serão levados de volta para sepultamento.
(Diário do Pará)
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