Policiais da Seccional Urbana de São Brás desarticularam, nesta quarta-feira, 20, um bando acusado de uma prática criminosa até então inusitada. O grupo sequestrou um comerciante para roubar-lhe o carro. Depois de liberada, contudo, a vítima passou a ser ameaçada de morte para que pagasse uma quantia em troca da devolução do próprio veículo. O caso foi comunicado ao diretor da unidade policial, delegado Guilherme Tavares, que colocou toda a equipe da seccional para investigar o esquema até chegar ao paradeiro de parte do bando. Três integrantes foram presos: Paulo Roberto Chaves Bezerra, 29 anos, de apelido "Paulinho"; Natalino Soares da Costa, 26, e Thiago Hugo Góes, 25. Com eles, foi recuperado ocarro da vítima. Dois outros homens ainda estão sendo procurados.
Em depoimento o comerciante, que pediu para não ter o nome divulgado, informou que há cerca de duas semanas colocou um anúncio de venda ou troca do seu carro particular. Na época, ele foi procurado por um dos acusados (Paulo Roberto) que se dizia interessado em fazer o negócio, que não foi fechado de imediato. A vítima, porém, mudou de ideia e e desistiu de vender o carro, mas o acusado insistia em ligar para o número do seu celular para fechar a troca do veículo. "Achei muito suspeito isso", comentou a vítima.
Na última terça-feira, por volta de 11 horas, quando chegava em uma agência da Caixa Econômica, no bairro de São Brás, a vítima foi abordada por Paulo Roberto, que armado, pediu para que ele entrasse no carro, junto com outros dois homens que também estavam armados. A vítima conta que ficou até 14 horas em poder dos bandidos, circulando por várias ruas da cidade, até ser abandonado na rua Barão de Mamoré, por trás do Cemitério Santa Isabel, no bairro do Guamá, em Belém.
Ainda conforme a vítima, durante o tempo em que ficou em poder dos sequestradores, os bandidos fizeram ameaças e tentaram extorqui-lo para que fosse liberado. Inicialmente, foi cobrada a quantia de R$ 10 mil, que caiu para R$ 7 mil e, por fim, para R$ 5 mil em dinheiro ou em jóias. Dentro do carro, conta a vítima, havia uma conta de luz, onde estava o seu endereço domiciliar. "Eles me diziam que se eu não pagasse o que estavam pedindo iriam até minha casa e matariam minha família", narra. Mesmo depois de ter sido liberado, ele continuou recebendo ligações e mensagens de texto de um dos bandidos, que chegou a indicar uma conta bancária para depósito da quantia solicitada em dinheiro, em troca do carro roubado e da vida de seu familiares.
De acordo com o delegado Guilherme Tavares, toda a negociação com os bandidos foi acompanhada na Seccional, até que a vítima marcou um ponto de encontro com um dos acusados, Thiago Hugo, que acabou preso e informou o endereço do comparsa, Paulo Roberto. Por fim, os policiais conseguiram prender o terceiro acusado, Natalino. No esquema do bando, as ligações e ameaças por celular foram feitas por Paulo Roberto. Já Thiago é apontado como a pessoa que indicou a vítima como alvo do crime. Eles irão responder por sequestro, roubo de veículo, formação de quadrilha ou bando e extorsão. Todos permanecem presos à disposição da Justiça.
(Agência Pará)
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