Em circunstâncias que, segundo a polícia, evidenciam mais um crime de suposto “acerto de contas” com o tráfico de drogas na Região Metropolitana de Belém, Jonatas Dias de Sousa, 21, foi assassinado com quatro tiros na Passagem Tupã, entre as passagens Bom Jardim e São Miguel, no bairro do Jurunas, em Belém. A execução foi na madrugada de ontem, por volta de 1h30.
Conforme relatos das poucas testemunhas do crime, Jonatas não mora nas proximidades do local do fato, mas teria sido obrigado a descer de um veículo antes de ser morto a tiros. Segundo familiares, ele foi chamado por conhecidos na porta de sua casa, na Avenida Roberto Camelier, e só apareceu de novo estirado na calçada da Passagem Tupã, morto com quatro tiros.
Acionada pelo Centro Integrado de Operações (Ciop 190), a viatura 9406, comandada pelo cabo PM Arnoud, do 20º Batalhão de Polícia Militar (BPM), foi quem chegou primeiro ao local e colheu as primeiras informações sobre o caso.
“Fomos informados de que aqui havia uma pessoa vítima de baleamento. Quando chegamos, ele já estava morto e não tinha mais como salvá-lo. Pelas características e de informações do local, ele era usuário de drogas e estaria devendo para traficantes”, disse.
Familiares e a companheira da vítima foram ao local do crime, e lamentaram o fim trágico de Jonatas. A companheira dele, de nome não revelado, disse para a polícia que desconhecia se Jonatas estava recebendo ameaças de morte.
Conforme ela, o companheiro tinha o hábito de sair de madrugada e retornar somente pelo início da manhã, mas não seria usuário de drogas e nem tinha envolvimento com o mundo do crime, depois da maioridade, pois já teria sido apreendido quando era adolescente. Ela não recordou o tipo de crime que ele já teria respondido.
CARRO AZUL
De acordo com o policial, maiores detalhes sobre o caso não foram repassados pela população devido a “lei do silêncio”. Mas um morador da área, que não terá o nome revelado para manter sua integridade física, declarou que teria visto o momento em que Jonatas foi baleado.
“Ele estava em um carro azul marinho que parecia um Idea. Ele desceu correndo e de dentro do veículo saiu um homem atirando nele. Foi tudo muito rápido. Provavelmente, eles mandaram que ele descesse só para matá-lo mesmo, pois aqui é bem deserto de madrugada. Depois dos tiros o carro saiu em alta velocidade no sentido da Passagem São Miguel”, contou.
DÍVIDA COM O TRÁFICO
Policiais civis da Divisão de Homicídios (DH), comandados pelo delegado Lenoir Cunha, foram acionados pelo Ciop sobre o local do fato e coletaram informações que possam ajudar nas investigações do crime. Segundo o delegado, a motivação do crime pode ter sido uma suposta dívida da vítima com o tráfico de drogas.
“As características apontam de que ele foi executado por dívidas com o tráfico de drogas. A companheira dele nos informou que dois homens foram chamá-lo na porta de casa e que devido a demora do retorno dele, desconfiou e já teve conhecimento da vítima quando já estava morta”, falou.
A perícia na cena do homicídio foi feita por uma equipe de peritos criminais do Instituto de Criminalística (IC) do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves. A perita criminal Virgínia Paiva detalhou os locais que os tiros atingiram.
“Foram quatro tiros, sendo um no braço, um na região escapular, próximo do ombro, um no glúteo e um no olho. Não foi possível identificar o tipo de arma utilizada”, explicou.
Após o levantamento de local, o corpo de Jonatas foi removido para o Instituto Médico Legal (IML). O caso foi encaminhado para a Delegacia do Jurunas.
(Diário do Pará)
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