As escolhas e as experiências vividas na adolescência em muitos casos são cruciais para o modo de vida que os adultos terão. Porém, algumas destas escolhas e caminhos encurtam brutalmente a vida de muitos que nem sequer chegam à maioridade. Foi o caso do adolescente de 16 anos, assassinado com cinco tiros no cruzamento das passagens Doutora Léia com Nova Olinda, no loteamento Jardim Primavera, no bairro da Pratinha II, em Belém. O homicídio foi no final da noite da última quarta-feira (27) e pode ter sido motivado por envolvimento da vítima com o tráfico de drogas e assaltos.
Por ser considerada pela polícia como uma área onde o tráfico de drogas é intenso e o número de assaltos é grande, a “lei do silêncio” prevaleceu entre os moradores e possíveis testemunhas do crime, dificultando o trabalho da polícia.
FORAGIDO
O sargento Sidney Melo, da viatura 9347, do 10º Batalhão de Polícia Militar (BPM), declarou que o jovem seria foragido do Centro de Internação do Adolescente Masculino (Ciam).
“Os familiares dele disseram que ele era assaltante, usuário de drogas e também era foragido do Ciam. Provavelmente ele foi vítima de um acerto de contas. Deve ter ficado devendo para traficantes e acabou morto. Não temos informações de suspeitos e nem de quantos estão envolvidos. Nenhum morador quis falar sobre o caso”, falou.
Segundo o policial, o cruzamento onde o adolescente foi assassinado é ponto de encontro de usuários de drogas e assaltantes. “Aqui eles se reúnem para articular assaltos, para consumir drogas. Quando uma viatura aparece, eles correm e se escondem dentro da invasão”, finalizou.
FURTOS E ASSALTOS
A vítima não moraria na capital e teria residência fixa com a mãe no município de Santo Antônio do Tauá. Alguns familiares dele, que moram às proximidades da cena do homicídio, foram reconhecer o corpo no local e uma tia da vítima, que terá seu nome mantido em sigilo, declarou que o sobrinho cometia furtos até mesmo dentro da casa de familiares.
“Ele vivia pela rua, assaltava, usava drogas, cometia furtos, inclusive dentro da casa de parentes. Tudo era para o consumo de drogas. A mãe nem mora aqui, ela mora em Santo Antônio do Tauá, que era onde ele morava também. Ele já foi apreendido duas vezes por assalto e estava foragido do Ciam”, afirmou.
EXECUÇÃO
Uma equipe de policiais civis da Divisão de Homicídios (DH) foram na madrugada de ontem ao local, para levantarem informações sobre o caso. A delegada Maria Cristina Esteves acompanhou a perícia na cena do crime feita pelos peritos do Instituto de Criminalística (IC) do Centro de Perícias Científicas “Renato Chaves”. Cinco perfurações de bala foram localizadas pelos peritos.
“Encontramos quatro entradas de tiros na área do abdômen, todas elas do lado esquerdo. Localizamos também um tiro no pescoço que transfixou. Foi uma execução mesmo”, afirmou o perito Robson Nunes.
O corpo do adolescente foi removido para o Instituto Médico Legal (IML) e o caso foi registrado na Seccional Urbana de Icoaraci.
(Diário do Pará)
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