plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 28°
cotação atual R$


home
POLÍCIA

Agonia e morte na Sexta-Feira da Paixão

Foram 30 segundos de agonia, entre o momento em que Waldomiro Gomes, de 28 anos, ouviu dos assassinos que ia morrer, depois correu desesperadamente até cair na lama, ser arrastado e finalmente executado com tiro de uma arma de fabricação caseira calibre 3

twitter Google News

Foram 30 segundos de agonia, entre o momento em que Waldomiro Gomes, de 28 anos, ouviu dos assassinos que ia morrer, depois correu desesperadamente até cair na lama, ser arrastado e finalmente executado com tiro de uma arma de fabricação caseira calibre 36, na rua Maria Bonita, ocupação Antônio Conselheiro, bairro do Icuí-Guajará, em Ananindeua, por volta das 13h desta sexta-feira (29). A Sexta Feira da Paixão acabou virando calvário para os três filhos do jovem. Entre eles uma garota de aproximadamente seis anos, a mais inconsolável, que apontava para todo primo que aparecia na janela gradeada onde ela observava o trabalho da perícia no corpo sujo e despido do genitor. “Mataram meu pai. Ele tá bem ali”, chorava.

Waldomiro preparava o fogo para assar Tambaquis quando dois homens chegaram de bicicleta a um bar em frente à casa da vítima. Eles começaram a beber com outras pessoas que certamente os conhecem, mas como é de praxe em locais com grande vulnerabilidade social, o temor de represália impede que alguém fale com a imprensa ou com a polícia no local do crime. O fato é que depois de ficarem um tempo bebendo, eles teriam observado que o cunhado do jovem teria se retirado de perto da churrasqueira improvisada, deixando o alvo deles só.

“Perdeu!”, teria gritado um dos dois executores. Em seguida, houve tentativa de fuga da vítima, mas a rua Maria Bonita não faz jus ao nome, pois não é muita coisa além de lama e buracos. A pressa e a via escorregadia combinadas resultou na queda da Waldomiro. Em seguida o homem que estava desarmado teria arrastado vítima para o outro efetuar o disparo. Apenas um. Na nuca.

CALVÁRIO

Pela janela da casa, a menina via mesmo sem querer ou entender a cultura da violência se reproduzir. Numa sexta-feira que recebe o nome de santa, num país cuja maioria das pessoas se declara cristã, a morte de alguém já não gerou comentários mais profundos do que “alguma coisa ele deve ter feito”. Talvez as estatísticas alarmantes diariamente expostas no DIÁRIO sobre violência não sejam tão claras a respeito da gravidade do assunto do que o choro de uma criança. Ela estava ali, chorando, lamentando, pedindo pelo pai que jamais voltará, mas ninguém parecia ouvir.

A mesma criança que é exposta a uma rua que não permite que ela saia de casa sem se sujar de lama, e ainda assim, mesmo quando sai não tem perto de onde mora sequer uma opção de lazer melhor do que ver corpos baleados, deve ter ouvido o sargento Reinaldo, do 6º BPM, 2ª CIA, lamentar a dificuldade que tem de garantir a segurança da população em ruas como aquelas, nas quais a viatura não pode passar. “Os dois estavam de bicicleta, mas a gente não conseguiu alcançá-los porque a rua não permitiu”, lamentou.

A equipe da Divisão de Homicídios, chefiada pelo delegado Lenoir Cunha, fez levantamento do local do crime. A orientação dada por ele, para que a população colabore com a polícia sem correr riscos, é fazer denúncias através do 181, onde é garantido o sigilo dos denunciantes.

(Diário do Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Polícia

    Leia mais notícias de Polícia. Clique aqui!