Triste por não ter a família reunida na Sexta-feira Santa, o estudante Roberto Daniel Ataíde Correa, 27 anos, resolveu atear fogo na casa do pai dele, localizada na rua Boaventura da Silva, vila Fonseca, no bairro da Cidade Velha, em Belém. O incidente ocorreu por volta das 14h30 desta sexta-feira (29) e graças à ação imediata do pai de Daniel, as chamas foram contidas antes de se alastrarem na casa.
Segundo Daniel, a atitude foi tomada por impulso e intensificada pela a ausência da família. “Tava aborrecido com a vida, nada tava dando certo para mim e tudo isso foi acumulando. Hoje eu tava só e acordei chorando, sem a minha família, mãe, irmãs. Queria ver todo mundo junto em datas como essa, e acabei tomando essa atitude”, explica o acusado, que é filho de pais separados.
Ainda de acordo com o acusado, ele chegou a avisar ao pai que ia tomar essa atitude, só que o mesmo não deu muita importância: “Ele tava bebendo lá na rua, e eu fui lá com ele e falei que ia tocar fogo na casa. Aí eu voltei, peguei uma garrafa de álcool, joguei no sofá e ateei fogo”.
Depois de provocar o incêndio, Daniel saiu desnorteado pelas ruas, até ser encontrado pela polícia e encaminhado a Central de Flagrantes de São Brás. Segundo informações fornecidas pela polícia, o pai do acusado conseguiu conter o fogo com a ajuda de vizinhos, e em seguida se deslocou à seccional para registrar queixa contra o próprio filho.
Na delegacia, Daniel confessou arrependimento e afirmou ser uma pessoa tranquila diante de tantas coisas que já viveu. “Eu estou arrependido, nunca esperei chegar a esse nível. Sou uma pessoa muito tranquila, mas a convivência influencia. Vi desde pequeno a agressividade do meu pai, e parece que passa. Mas de qualquer forma, ele (pai) não merece o que eu fiz”.
De acordo com o delegado Antônio Marçal, o acusado vai ficar a disposição da Justiça e pode pegar até cinco anos de detenção. “O pai dele registrou a queixa e agora ele vai ficar detido e à disposição da Justiça. Ele vai responder por incêndio doloso, e a pena varia de três a cinco anos. Mas como ele é réu primário, a pena pode ser reduzida”, explica.
(Diário do Pará)
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