plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 32°
cotação atual R$


home
POLÍCIA

Armas de brinquedo são usadas para provocar terror

As antigas armas de espoleta, denominadas ‘BB Guns’, fizeram parte da infância de muitos que nasceram antes da década de 90. As réplicas mais comuns imitavam pistolas nove milímetros. No tempo em que o narcotráfico e os índices de criminalidade eram signi

twitter Google News

As antigas armas de espoleta, denominadas ‘BB Guns’, fizeram parte da infância de muitos que nasceram antes da década de 90. As réplicas mais comuns imitavam pistolas nove milímetros. No tempo em que o narcotráfico e os índices de criminalidade eram significativamente menores, as pistolas de ar comprimido cumpriam seu objetivo e eram usadas apenas para diversão. Hoje, nas mãos de pessoas mal intencionadas, a brincadeira de “polícia e ladrão” se transforma em coisa séria. O que era para ser usado por crianças, caiu nas mãos de assaltantes audaciosos e se tornou cúmplice de crimes. Apesar de proibidas por lei, com algum dinheiro no bolso e esforço, ainda é possível encontrar réplicas de armas à venda.

De acordo com o artigo 26 da Lei nº 10.826, de 22 de Dezembro de 2003, “são vedadas a fabricação, a venda, a comercialização e a importação de brinquedos, réplicas e simulacros de armas de fogo, que com estas se possam confundir”. Hoje, é praticamente impossível encontrar quem venda estes produtos às claras. Durante duas manhãs, o DIÁRIO percorreu ruas do centro comercial de Belém, escoador de produtos importados ilegalmente, atrás de um destes brinquedos. Entre os camelôs, a desconfiança é grande e não obtivemos sucesso nas buscas. No entanto, mais de uma fonte confirmou que há pontos de venda que não atendem qualquer cliente.

Em uma loja de especializada em produtos de caça e pesca, localizada em Ananindeua, espingardas de ar comprimido, de diferentes modelos e tamanhos, ficam expostas próximas ao caixa. No estabelecimento, é possível comprar uma pistola de cano longo, abastecida com chumbinhos de 4.5 milímetros, por R$ 429. O pacote com 250 munições custa apenas R$ 8. Quem quiser comprar a arma não precisa de autorização especial ou apresentar qualquer documento. Se o comprador não tiver o dinheiro em mãos, pode parcelar em até três vezes no cartão de crédito.

"Armas genéricas" custam a partir de R$ 18 na internet

Na internet, é possível encontrar sites que realizam, sem restrição, o comércio de produtos que imitam armas de fogo. O Deal Extreme, rede internacional de comércio atacadista, envia para todo o mundo, tem linguagem em português e faz, inclusive, conversão de preços para o real. No catálogo, BB Guns de modelos variados são vendidas por até R$ 18. O comprador, no entanto, se residir no Brasil, corre o risco de ter sua importação apreendida pela Receita Federal. Em um site de compras, uma réplica de Colt 1911 Target, localizada no país, está à venda por R$ 180. A BB Gun vai com 5.000 munições.

Outro site, especializado em vendas de armas por ar comprimido, se preocupa em esclarecer aos seus clientes que, de acordo com a Portaria nº 36-DMB, de 09 de Dezembro de 1999, não é necessário apresentar licença ou registro para a aquisição de armas de pressão por ação de mola, com calibre menor ou igual a seis milímetros. A norma que regula o comércio dessas armas e munições, aprovada pelo Ministério da Defesa e pelo Exército, restringe apenas o comércio para menores de 18 anos. A quantidade depende do desejo e do bolso do interessado.

O delegado Roberto Macedo, chefe-de-operações da Seccional Urbana do Comércio, explica que a ousadia dos criminosos é tanta que muitos dispensam até mesmo a réplica da arma de fogo. “Chega dois caras em um sinal fechado, batem no vidro de um carro e deixam a mão na cintura, por baixo da blusa. O motorista, assustado, entrega tudo que é visível, relógio, bolsa cordão, pulseira...”, conta. De acordo com Macedo, a dificuldade em conseguir as armas de brinquedo tem obrigado os assaltantes a usarem a criatividade. “Eles pegam um tubo de PVC de um palmo, de 15 a 20 centímetros, colocam um cabo de madeira, passam fita isolante preta e aquilo é usado para imitar um revolver. Na hora do assusto, mete medo”, fala.

Segundo o chefe-de-operações, ainda que a vítima desconfie que a arma empunhada pelo assaltante seja falsa, não se deve reagir. “Assim como pode ser um brinquedo, pode ser uma arma com poder de fogo real, não tem como a pessoa saber. E, depois que pegar o tiro, não tem como rever a situação”, orienta. Macedo informa que a média mensal de roubos registrados na Seccional chega a 15 por mês. A maioria dos crimes acontece nas proximidades da Doca de Souza Franco, fronteira dos bairros Reduto e Umarizal, área que concentra bancos e escritórios.

Na sede da Polícia Federal, em Belém, é possível encontrar réplicas e simulacros de espingardas utilizadas no interior do Estado. Uma delas, feita de madeira com mecanismo a base de molas e pregos, dispara um cartucho calibre 16. “Geralmente, o que acontece é que um dos assaltantes aborda o motorista na rodovia com a arma de verdade e o outro, de longe, mira com a falsa. Por conta da distância, o condutor nem percebe a diferença”, explica um agente administrativo da PF, que pediu para não ser identificado. Entre o acervo de produtos ilegais apreendidos pela Polícia, a réplica de uma pistola Bereta 9.9 milímetros espanta pela semelhança da cópia. Na dúvida, é melhor não pagar para ver se a arma atira ou não.

(Diário do Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Polícia

    Leia mais notícias de Polícia. Clique aqui!