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POLÍCIA

Homem é morto na hora do futebol

O grito de gol foi brutalmente contido pela cobrança fatal de supostas dívidas com o mundo do crime. Na tela, o jogo de futebol. No chão, estirado de bruços e coberto por um lençol branco jazia o corpo de Müller Tavares de Souza, 25, assassinado com cinco

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O grito de gol foi brutalmente contido pela cobrança fatal de supostas dívidas com o mundo do crime. Na tela, o jogo de futebol. No chão, estirado de bruços e coberto por um lençol branco jazia o corpo de Müller Tavares de Souza, 25, assassinado com cinco tiros. Segundo testemunhas, ele foi morto enquanto assistia pela televisão, junto de vizinhos e amigos, a partida de futebol entre Remo e Flamengo, pela Copa do Brasil. O crime foi no final da noite da última quarta-feira (3) na Rua da Paz, localizada no Loteamento Riacho Doce, bairro do Guamá, em Belém.

Quem presenciou o momento do homicídio disse à polícia que os criminosos chegaram de carro e a vítima foi morta no momento do único gol da partida, marcado pelo time visitante. Conforme moradores do local, entre quinze e vinte pessoas assistiam ao jogo na rua, sentados em cadeiras, pelo chão e em pedras. A televisão estava em frente a uma residência, na calçada.

De acordo com as descrições do veículo, era um táxi, branco, modelo Corsa Sedan, de placa não identificada. Segundo as testemunhas, o carro parou em frente ao grupo de amigos, três dos quatro ocupantes do carro desceram, um deles efetuou os disparos somente em Müller e em seguida fugiram.

“ACERTO DE CONTAS”

A Polícia Militar (PM) foi acionada e a viatura 9430, composta pelo sargento R. Cunha e soldado Thiago, do 20º Batalhão de Polícia Militar (BPM), colheu as primeiras informações sobre o homicídio. Segundo o cabo da PM, Müller era ex-presidiário e cumpriu pena por crime de tráfico de drogas.

“Recebemos informações de que ele já foi preso por tráfico de drogas, já havia cumprido pena, mas ainda tinha envolvimento com a prática. No momento do crime ele estava assistindo o jogo do Remo e Flamengo com amigos, quando um carro parou, os criminosos desceram e um deles atirou”, disse.

Para o policial, o crime poderia ter sido motivado por um suposto “acerto de contas”. “A placa do carro não foi identificada e os suspeitos ainda não foram localizados. O veículo teria vindo da direção da Terra Firme. Pelas características ele foi vítima de um acerto de contas”, finalizou.

VÁRIAS TESTEMUNHAS

O pai de Müller, Raimundo de Assunção de Souza, não quis falar sobre o caso com a imprensa. Em depoimento ao escrivão Flávio Trindade, da Divisão de Homicídios (DH), falou que “havia várias pessoas presenciaram o momento do crime e que para escaparem da morte as outras testemunhas saíram correndo, se jogaram no chão e outros pela vala”. Inclusive ele próprio.

A delegada Daniele Bentes, de plantão na equipe da DH, acompanhou o levantamento de local feito pelos peritos criminais Nelson Vidal e Luiza Maia, do Instituto de Criminalística (IC) do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves.

Segundo o perito Nelson Vidal, o total foi de cinco tiros. “Ele foi atingido com três tiros na cabeça, sendo um de raspão, dois no braço, com um deles de raspão também, e um na mão esquerda que transfixou, atingindo a cabeça. No total foram cinco entradas”, concluiu.

Após o levantamento de local, o corpo de Müller foi removido para o Instituto Médico Legal (IML) e o homicídio foi registrado na Seccional Urbana do Guamá. Até o final da madrugada de ontem a polícia não obteve informações sobre os suspeitos do assassinato.

REVOLTADO

Ao lado do cadáver, ora em pé, ora sentado, estava o pai da vítima, inconformado, revoltado com a perda do filho e bastante agressivo. Mesmo com a presença de policiais militares na cena do crime, Raimundo ameaçou os profissionais da imprensa com um pedaço de pau.

Ele alegou que não queria que fossem feitas imagens do corpo e muito menos dele. Além da imprensa, ele teve trabalho mesmo foi em ter que espantar cachorros e gatos que insistiam em se aproximar do cadáver.

A RUA AMALDIÇOADA

A Rua da Paz, que de paz pouco tem, local do crime, é a mesma rua onde na última terça-feira (2) ocorreu a morte misteriosa de Ana Cláudia, de seis anos, que foi supostamente morta por estrangulamento pela própria mãe, Aldenora Costa do Vale, 36, que está detida no Centro de Recuperação Feminino (CRF), no bairro do Coqueiro.

No dia do crime, de acordo com os peritos, o corpo da menina apresentava sinais de estrangulamento, a provável causa da morte. O resultado da necropsia será divulgado em até 10 dias e irá apontar a causa da morte da criança.

(Diário do Pará)

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