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POLÍCIA

Grávida é mantida refém em Ananindeua

Uma mulher grávida foi feita refém por dois adolescentes de 17 anos, no fim da manhã de ontem, durante cerca de uma hora. Eles invadiram a casa, nos fundos da oficina mecânica onde a família da vítima trabalha, após uma tentativa de roubo. De acordo com a

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Uma mulher grávida foi feita refém por dois adolescentes de 17 anos, no fim da manhã de ontem, durante cerca de uma hora. Eles invadiram a casa, nos fundos da oficina mecânica onde a família da vítima trabalha, após uma tentativa de roubo. De acordo com a Polícia Militar, a dupla estava realizando diversos assaltos pela Cidade Nova, em Ananindeua.

“Eles já tinham roubado duas pessoas perto da UPA [Unidade de Pronto Atendimento], um rapaz nos acionou para sair à procura deles. Depois, o outro rapaz [marido da vítima] nos indicou onde eles estavam”, cabo PM Brandão. Grávida de seis meses, Marciene Souza e Silva, de 25 anos, não teve como escapar dos infratores.

De acordo com Souza, dono da oficina mecânica e sogro de Marciene, “eles chegaram de moto, estavam com os pés só lama, e pediram água para lavar. Depois foram embora e voltaram mais uma vez”. Foi nesse momento que um dos garotos apontou uma arma para sua cabeça, e o outro puxou um cordão de ouro que ele usava. O filho do mecânico também estava na oficina quando os adolescentes pediram para lavar os pés. “Eu desconfiei desde o início. Olhei dois caras em uma moto, com o pé sujo, fui até ligar a bomba de água pra eles, mas fiquei desconfiado. Quando se abaixaram, tentei ver se tinham alguma arma na costa, mas acho que estava escondida na frente do corpo dele. Eu sabia que eles iam voltar”. Por isso, o rapaz decidiu pegar o carro do pai e ficar esperando na esquina da rua.

“Quando vi eles apontando a arma, só fiz acelerar para cima dos dois”. Um dos adolescentes foi arremessado contra um dos carros estacionados em frente à oficina. O outro caiu da moto e atirou contra o veículo que os atingiu. “Furou o pneu traseiro, mas ainda consegui andar uns quantos metros para chamar a PM, que já estava à procura deles”.

Assustado, o dono da oficina aproveitou o feito do filho e saiu correndo para dentro de casa. “Eu ainda caí tentando correr antes deles levantarem. Tranquei a porta de casa, mas eles conseguiram entrar. Só consegui fugir, porque pulei o muro que dá acesso à casa da vizinha do lado. A esposa do meu filho não conseguiu, pois está grávida e logo que pulei, eles arrombaram a porta”.

A mulher dormia no quarto que fica nos fundos da casa e acordou com o barulho dos tiros. Dominada pelos assaltantes, passou cerca de uma hora sob a mira da arma calibre 38 que os adolescentes usavam.

NEGOCIAÇÃO

Com a chegada da Polícia Militar e Ronda Tática Metropolitana (Rotam), as negociações para liberação de Marciene Souza tiveram início. Várias exigências foram feitas pelos adolescentes, entre elas, dois coletes à prova de balas, a presença da imprensa e de um promotor da vara da Infância e Adolescência do Ministério Público.

O major Brasil, da Polícia Militar, forneceu os coletes e os menores fizeram uma nova exigência. “Eles querem que a mãe de um deles esteja presente”. O major falou por telefone com a mãe de um dos garotos, mas ela estava em casa, no Guamá. A demora e a tensão acabaram fazendo com que os menores se entregassem antes mesmo da chegada dela. Em uma das ligações, o major pediu que ela intermediasse a rendição. “Senhora, converse com seu filho. A senhora ainda está em São Braz, quanto mais o tempo passa é pior pra ele, peça pra ele se entregar”, dizia o major.

Quando perceberam que seria melhor entregar logo a refém, eles a liberaram. Depois, passaram a arma para os policiais e um de cada vez foi levado até a viatura, posicionada dentro da oficina mecânica. Para o major Brasil, a maior dificuldade da negociação foi a dificuldade de aproximação. “A falta de visibilidade dificultava que eles confiassem na gente. Lá de dentro eles não conseguiam ver que a casa estava isolada e a imprensa presente, como prometemos. É mais difícil ter credibilidade para negociar”.

APREENDIDOS

A população ainda se revoltou gritando e ameaçando os menores quando foram retirados da casa. A revolta era grande, principalmente por parte dos familiares da moça feita refém. Uma ambulância de resgate do Corpo de Bombeiros fez o atendimento da vítima e da mãe dela, que também passou mal ao ver a situação da filha.

Os adolescentes foram levados na viatura da Polícia Militar até a Seccional Urbana da Cidade Nova. Ao serem interrogados, descobriu-se que a moto usada por eles, uma Honda de cor vinho, placa OFO 5641, era roubada. “Eles roubaram essa moto no Guamá, na noite de ontem [quinta-feira] e estavam usando para a prática de vários assaltos aqui em Ananindeua”, informou Moreira, chefe de operações da Polícia Civil.

Um dos menores mora no bairro onde a moto foi roubada e o outro, no distrito de Mosqueiro. A arma calibre 38, entregue pelos adolescentes, também é roubada e estava com duas munições. “Ela deve ser de algum vigilante, está com a numeração raspada”. Após os primeiros procedimentos na seccional, a dupla foi encaminhada para a Divisão de Atendimento ao Adolescente (Data), onde será autuada em flagrante pelo ato infracional.

(Diário do Pará)

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