O bairro do Marco, que engloba grandes corredores de tráfego, é o campeão em número de acidentes, de acordo com o Departamento de Trânsito do Estado do Pará (Detran-PA). Em 2011 foram 1.254 acidentes registrados no Marco. “É onde temos as avenidas Almirante Barroso, João Paulo II, Marquês de Herval e travessas Mauriti e Lomas Valentinas, com alto fluxo de veículos”, lista Carlos valente, coordenador de planejamento do órgão.
Responsável por 12,13% do total de acidentes, o Marco tem mais de 500 casos sobre o segundo da lista, a Marambaia, com 673 acidentes em 2011. Somente a avenida Almirante Barroso contabilizou 274 acidentes com vítimas não fatais e outros dez que resultaram em mortes. São Brás, Pedreira e Umarizal seguem na lista, com 652, 595 e 554 acidentes.
No geral, os acidentes acontecem com mais frequência nas quartas-feiras e sábados, com 823 e 817 registros, respectivamente. “Nas quartas os acidentes envolvem principalmente os pedestres e condutores de motocicletas e aos finais de semana, os demais veículos”, diferencia Valente. “Hoje [ontem] eu quase foi atropelada na Duque quando tentava atravessar a faixa de pedestres”, conta indignada a professora aposentada Creuza Nascimento, 55. Moradora do bairro do Marco desde o nascimento, a pedestre critica a falta de educação dos motoristas. “É uma falta de respeito total, que piorou em todos os sentidos”. O dia com menos incidência de sinistros é o domingo, com 617 casos registrados.
O ciclista Alexandre Farias, 30, que trafega todos os dias pelas principais vias do Marco lamenta a postura dos motoristas. “Eles passam muito perto da gente e onde dá, eu uso o BRT”, diz. No Estado, as colisões são mais comuns aos sábados e sextas- feiras, com 1.876 e 1.806, respectivamente, do conjunto de 12.159 acidentes no ano de 2011. “É quando a população sai da atividade laboral e há presença, infelizmente, do álcool somado à direção, resultando em acidentes”, explica o coordenador do Detran-PA.
Augusto Montenegro lidera fatalidades
A maior parte dos acidentes acontecem na avenida Augusto Montenegro. No período, 24 pessoas morreram na avenida que ainda é responsável por 380 acidentes com vítimas não fatais. A urbanização da avenida nos últimos dez anos, somada a falta de sinalização, são os pontos cruciais para os números que fazem da Augusto Montenegro a líder em acidentes. “É a via com maior faixa de tráfego existente, com habitação e área comercial crescentes, mas que não teve tratamento nas últimas gestões da Prefeitura”, pontua. “A retirada da ciclovia e ciclofaixa, diminuição do número de faixas, asfalto irregular e falta de sinalização horizontal e vertical contribuem para o maior risco de acidentes”, enumera.
O motociclista Nonato Gonçalves, 62, já sofreu um acidente, com danos materiais. “Foi imprudência do motorista”, acusa. As principais vítimas na avenida de 14 Km de extensão são os pedestres, ciclistas e condutores de motocicletas. Para o coordenador do Detran-PA, retirar a avenida Augusto Montenegro da liderança de acidentes exige duas frentes: “Fiscalização e educação”, frisa. A rodovia Arthur Bernardes e a avenida Almirante Barroso fizeram dez vítimas cada, seguidas pela avenida Pedro Álvares Cabral, com sete registros fatais.
No Pará, a quinta- feira é o dia da semana mais tranquilo para transitar, com o menor índice de acidentes – 1.588. O motorista Arnaldo Santana, 32, nunca passou situações de risco de acidente, apesar de considerar o trânsito caótico.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar