Pouco mais de um ano após o assassinato de Patrick Botelho da Silva, os acusados vão a júri popular hoje. O crime, que sensibilizou toda a ilha de Mosqueiro, completou em 20 de fevereiro o primeiro ano. Estão presos desde o final de fevereiro do ano passado Francisco Moura Junior, 24 anos, e Paulo José do Espírito Santo Costa, 19 anos. Eles teriam planejado o crime, motivados pelos ciúmes que Junior tinha da amizade entre a namorada e a vítima.
A expectativa da família é pela condenação, a materialidade das provas é clara, de acordo com a mãe de Patrick, Cliviane Botelho. “Estou em frente, vou à luta. Eu acompanhei tudo, li muito. Li todo o processo, sei de tudo o que aconteceu. Não tenho dúvidas. Estou esperando apenas que a justiça seja feita”, conta. O julgamento deve durar dois dias. No primeiro, as testemunhas da acusação, da defesa e os acusados devem ser ouvidos. O segundo dia deve servir para os debates orais. O Tribunal de Justiça do Estado (TJE) informou em nota, que a demora no julgamento se deu em virtude do desaforamento do caso para a Comarca de Belém, por questões de segurança.
Primogênito
Patrick completou 16 anos, quatro dias antes do crime. Era o primogênito de Cliviane. “A gente nunca imagina que vai acontecer. Mas me senti muito acolhida e amparada por todos aqui. Recebi ligações de pessoas que eu nem conhecia, me pediam blusas. Publicava uma pequena mensagem na internet e de repente todos curtiam e me deixavam recados”, declara.
A família também recebeu o conforto de quem passou por problemas semelhantes, que participam do Movimento Pela Vida (Movida). Os participantes do movimento começam uma vigília em homenagem ao Patrick, em frente ao TJ, para marcar o início do julgamento na manhã de hoje. Junto a eles, familiares e amigos do adolescente vão acompanhar o momento.
O recomeço, após a morte, foi difícil, ela admite. “Eu fiquei triste porque nenhum filho é igual ao outro. Queria que o meu caçula fosse como o Patrick, mas a psicóloga me explicou isso. Fiquei mais atenta, todas as mães aqui ficaram. Tenho muito cuidado com o Sávio (filho). Não é fácil perder um filho, ainda mais quando ele era da igreja, não tinha vícios, a gente não espera”, conta.
O desabafo de Cliviane já perdeu o tom desesperado, que tinha meses atrás. Hoje ela se mostra mais tranqüila, mesmo que em alguns momentos as palavras sumam e os olhos se encharquem de emoção. “Todo mundo me acha forte, mas é que eu não posso me deitar na cama e pensar que acabou tudo para mim, tenho outro filho para criar”, comenta. É difícil continuar, a lembrança ainda dói, tentando conter o choro, emudece por alguns instantes, mas torna a falar.
“Eu era afastada da igreja, meu filho era muito católico. Ele me batia a mão na minha testa e dizia para eu me converter. Hoje eu vejo que tenho que ter Deus no meu coração, senão a gente faz coisa errada. Sinto falta dele, principalmente da brincadeiras”, lembra.
(Diário do Pará)
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