Nenhum pertence foi roubado, nem mesmo a motocicleta usada para o trabalho. Com evidentes características de execução, mas por motivos ainda misteriosos para a polícia, o mototaxista José Francisco Pereira de Carvalho, 35, foi assassinado com três tiros no início da madrugada de ontem, na Avenida Salvador entre as ruas Ceará e Maranhão, bairro de Águas Lindas, município de Ananindeua.
Segundo testemunhas, dois homens em uma motocicleta de modelo e placa não identificados abordaram a vítima, efetuaram vários disparos e fugiram para destino ignorado. Em um ato de desespero, o mototaxista jogou a motocicleta Honda Broz no chão e tentou procurar socorro.
A vítima foi baleada na esquina da Av. Salvador com a Rua Maranhão e ainda correu por pelo menos cem metros. Ele chegou até a porta de uma casa para buscar ajuda, mas não resistiu aos gravíssimos ferimentos e morreu na frente da residência. A motocicleta dele foi apreendida pela Polícia Militar (PM) e levada para a Seccional Urbana da Cidade Nova.
De acordo com informações do tenente PM Jorge da viatura 8129, do 6º Batalhão de Polícia Militar (BPM), o crime pode ter sido uma execução por suposto “acerto de contas”.
“Dois homens chegaram em uma moto, efetuaram os disparos e fugiram. A vítima correu, bateu na porta desta casa, mas quando o proprietário da residência a abriu, ele já estava morto. Nada foi roubado, nem a moto, nem os documentos e aparelho celular. Pelas características foi um acerto de contas, mas ainda não sabemos a motivação. Nenhum suspeito ainda foi identificado”, explicou.
GRITOS DE SOCORRO
Por se uma localidade considerada pela polícia como “área vermelha”, onde o tráfico de drogas, assaltos e execuções são constantes, alguns moradores ainda assustados se limitavam a olhar o trabalho da polícia pelas janelas de suas casas. Outros não se intimidaram e contaram que ouviram vários tiros.
“Eu ouvi muitos tiros, pelo menos uns cinco a seis. Depois ele passou correndo no meio da rua, gritando por socorro e de dor. Não abri a porta porque fiquei com medo de ver. Não vi quem atirou. Quando abri a janela eu vi a moto dele jogada na esquina, mas não sabia que ele havia morrido, só quando polícia chegou”, disse um morador que pediu para não ser identificado.
Colegas de profissão de Luiz foram ao local e contaram que ele fazia ponto na entrada do Loteamento Olga Benário, às proximidades de onde ocorreu o crime. Os familiares que foram até a cena do homicídio estavam desolados com a morte trágica do mototaxista.
Em declarações à polícia, eles alegaram que desconheciam qualquer envolvimento da vítima com a criminalidade como tráfico de drogas, fosse como usuário ou traficante, e assaltos, ou se estaria recebendo ameaçadas por parte de algum desafeto. Em suma, eles contaram que Luiz era um homem trabalhador, nunca teria sido preso e nem se envolvido em confusões.
TRÊS TIROS
Policiais civis da Divisão de Homicídios (DH), que tinha à frente o delegado Lenoir Cunha, acompanharam a perícia feita por peritos criminais do Instituto de Criminalística (IC) do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves.
Apesar de testemunhas terem escutado entre cinco a seis tiros, segundo o perito criminal Robson Nunes, a vítima foi alvejada com três disparos. “Encontramos três entradas e três saídas de tiros. Dois nos braços, um de cada lado, e um no tórax, na altura do peito que deve ter sido o primeiro tiro. Foi disparado pela frente e não pelas costas”, explicou.
Após ser concluído o levantamento de local de crime, o corpo de Luiz foi removido para o Instituto Médico Legal (IML), onde passará por necropsia. Até o final da madrugada de ontem a polícia ainda não havia obtido informações sobre a identificação dos criminosos.
(Diário do Pará)
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