A um dia do término da festa de aniversário em comemoração aos 133 anos de Ponta de Pedras, na Ilha do Marajó, a cidade viveu um dia atípico com a execução, em menos de cinco horas, de dois moradores em locais distintos na cidade, que recepcionava a banda Calypso, contratada para fechar a programação festiva.
O primeiro homicídio aconteceu na madrugada de sábado (27), tendo como vítima Acildo Pantoja do Espírito Santo, de 26 anos, executado com um tiro no rosto, fato ocorrido na avenida Mangabeira, quando a vítima se encontrava em via pública em companhia de uma testemunha e acabou assassinada por um homem de identidade desconhecida.
A Polícia Civil do município, tendo à frente o delegado Afonso Maria de Ligorio dos Santos Moreira esteve no local do crime fazendo o levantamento e os investigadores Luis Alberto Furtado e Raimundo Carlos Pessoa recolheram perto do corpo uma cápsula de projétil da arma utilizada para matar Acildo Pantoja do Espírito Santo.
O segundo homicídio ocorreu na manhã do mesmo sábado e teve como vítima o pescador Marcos da Cunha Ribeiro, de 33 anos, morto na periferia de Ponta de Pedras, com mais de dez facadas pelo corpo. No local, os policiais também apreenderam a lâmina de uma faca tipo peixeira que foi utilizada para matar a vítima. O drama dos familiares começou quando os corpos chegaram ao Hospital de Ponta de Pedras e, como não havia médicos para o exame cadavérico, os corpos tiveram que ser transportados para Belém em uma embarcação que chegou ao porto Palmeiraço às 17h do sábado.
“Era para ser três horas de viagem, mas o tempo ruim e a maré contra que pegamos na baía do Arrozal só nos permitiram chegar aqui seis horas depois de sairmos de Ponta de Pedras”, disse um dos tripulantes da embarcação. Os corpos já chegaram a Belém em caixões e a retirada da embarcação foi precedida de uma verdadeira “operação de guerra” pelos tripulantes do barco e equipe de remoção do Instituto de Criminalística.
Com a maré baixa e um navio entre o porto e a embarcação com os corpos, o jeito foi improvisar. Eles amarraram cordas nos caixões para poder resgatá-los com segurança. Tudo foi acompanhado com exclusividade pelo DIÁRIO.
Após retirar os corpos da embarcação, a equipe de remoção encontrou outra situação inusitada. Os caixões não entravam no carro tumba e acabaram retirados e colocados nos esquifes apropriados do IML para transporte de corpos. Após necropsia em Belém, os parentes que acompanharam os corpos até o IML providenciaram novamente o mesmo esquema para retornar a Ponta de Pedras com os corpos para o enterro.
O delegado Afonso Maria de Ligorio dos Santos Moreira mandou o escrivão José Augusto abrir inquérito policial para apurar as circunstâncias das duas mortes, no final do dia da festa de aniversário de Ponta de Pedras.
(Diário do Pará)
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