O delegado Armando Mourão, diretor da Seccional Ananindeua, encaminhou para a Justiça de Ananindeua, um pedido de prisão preventiva para o sargento da Polícia Militar, Edilson César Fernandes, acusando-o de suposta dupla execução, fato ocorrido no dia 12 de março deste ano, na rodovia BR-316, e tendo como vítimas Alderi Casemiro Brito Reis, 24 anos, e Cleverson Luiz Ferreira Rodrigues, 22 anos.
O delegado presidiu o inquérito que apurou os fatos.Segundo Mourão, o sargento, sob o pretexto de uma perseguição, alvejou com pistola Ponto 40, as duas vítimas, uma atingida com tiro nas costas e outra, com tiro na virilha. O delegado diz que o próprio sargento se contradiz em seu depoimento, a partir da comparação do que declarou, com as provas técnicas fornecidas pelo Centro de Perícias “Renato Chaves”.
O sargento Edilson declarou, segundo o delegado, que as duas vítimas vinham em uma motocicleta e “furaram” uma barreira que estava sendo realizada na estrada do Maguari, na madrugada daquele dia. Em alta velocidade, passaram a ser perseguidos pela viatura em que estava o sargento e o soldado Paulo Palheta Pereira, que era o condutor do carro.
Segundo ainda o sargento, na fuga, os dois ocupantes da motocicleta, passaram a disparar uma arma de fogo contra o carro policial. Na rodovia BR-316, a altura do quilômetro 7, o sargento conta que reagiu e também disparou contra os dois fugitivos, que, alvejados, caíram na pista, um deles já morto, e o outro, moribundo, foi socorrido para o Hospital Metropolitano, ontem também morreu.
AS CONTRADIÇÕES
Segundo disse o delegado Armando Mourão, as provas técnicas apontam para uma dupla execução cometida pelo sargento. Mourão mostrou que o piloto da moto,foi atingido com um tiro de pistola nas costas, e o passageiro, com um tiro na virilha.
“Ora se o passageiro vinha atrás e não foi atingido e o seu corpo não foi atravessado por nenhum tiro, como então um tiro, na perseguição pode atingir o condutor? Já o passageiro, atrás, na perseguição, como pode ter sido atingido na virilha, parte da frente do corpo, se viajava de costas para o sargento?”, questiona o delegado
Mourão disse que a perícia técnica indica que as vítimas não foram baleadas durante a perseguição, mas quando já estavam no chão. O delegado disse também que a suposta arma com que as duas vítimas supostamente atiraram contra o sargento e o soldado, não foi localizada.
O delegado Mourão disse que não encontrou antecedentes criminais das vítimas. Que a motocicleta que usavam não era roubada e que podem ter “furado” a barreira, porque o condutor não era habilitado.
Mourão disse que as famílias dos dois mortos estão inconformadas e que vão constituir advogados para processar o Estado, além de pedir indenização pela perda de seus entes queridos.
Segundo ainda o delegado Mourão, o sargento Edilson César Fernandes já responde outros processos por execuções de pessoas, em Ananindeua.
(Diário do Pará)
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