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POLÍCIA

Presos fazem rebelião por quase 12 horas

Foram quase doze horas de tensão na carceragem da Delegacia de Policia Civil de Salvaterra, na Ilha do Marajó, que começou na noite de sábado (18), quando foi servida a refeição noturna aos presos. As marmitas entregues continham apenas arroz e mortadela.

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Foram quase doze horas de tensão na carceragem da Delegacia de Policia Civil de Salvaterra, na Ilha do Marajó, que começou na noite de sábado (18), quando foi servida a refeição noturna aos presos. As marmitas entregues continham apenas arroz e mortadela. Os encarcerados pediram para que o único policial presente no local comprasse farinha para eles. Pedido que não pode ser atendido.

Foi iniciada então uma sessão de xingamentos e ameaças ao policial civil. Logo, os encarcerados passaram a listar exigências ameaçando fugir e quebrar tudo no prédio. Queriam água gelada, visita íntima, disponibilidade de tabaco e cigarros, comida melhor e queixavam-se de maus tratos numa carceragem com capacidade para abrigar até 16 presos, mas que estava com 18, além da precária estrutura do banheiro.

O Delegado Victor Manfrini, titular de Salvaterra, foi comunicado e se dirigiu para o local acionando, ainda no caminho, força militar. Na delegacia o clima já era de tensão total, pois os presos começaram a gritar, bater nas grades, nas paredes e ameaçar uns aos outros. Eles atearam fogo em tecidos e usavam estoques feitos com ferro retirado das grades para escavar as paredes ameaçando fugir.

Os detentos também amontoaram as grades retiradas na entrada principal como forma de impedir a entrada da policia, que chegou a usar um extintor para amenizar as chamas que provocavam a produção de muita fumaça dentro da carceragem. Os encarcerados cobriam os rostos com panos e disfarçavam a voz para ameaçar os policiais, citando nomes e palavras de baixo calão, destinados a policiais que participaram das operações que resultaram nas suas prisões.
Um forte aparato policial foi deslocado para a Delegacia. Eram cerca de 20 militares e mais cinco policiais civis sob o comando do Superintendente Interino, Luciano Cunha, que deslocou-se de Soure para iniciar as negociações por volta das 23h.

Em frente à Delegacia era grande o número de curiosos, entre familiares, amigos e parceiros dos encarcerados. Os policiais tiveram dificuldade para conter os ânimos de alguns familiares que insistiam em entrar para fazer contato com os encarcerados, temendo que o pior estivesse acontecendo lá dentro, pois eles gritavam ameaças de que matariam um dos presos caso suas exigências não fossem atendidas.

Os presos exigiam a presença da imprensa e da igreja, além da entrega de tabaco e suas transferências, para se renderem. Porém, mesmo com parte das exigências cumpridas por volta da 1h da madrugada já do domingo (19), eles se recusaram em abrir a grade da entrada da carceragem para que a revista fosse feita. Neste intervalo, o comando do Policiamento do Interior da Policia Civil já havia tomado conhecimento da situação e providenciava o deslocamento de um grupamento especializado para conter a crise. O Delegado Dilermando Junior, Diretor da Delegacia Fluvial teve a incumbência de comandar a operação, chegando à cidade por volta das 6h da manhã.

Numa ação integrada, policiais civis e militares e o Poder Judiciário obtiveram êxito na situação, pois ainda durante a madrugada o Delegado de Salvaterra, Victor Manfrini, conseguiu a autorização do Juiz da Comarca Judiciária do Município, Paulo Ernesto, para que a transferência dos 18 presos fosse efetivada. Duas lanchas rápidas foram utilizadas para a transferência.

“Avaliamos positivamente esta operação, pois a negociação foi tranqüila e não tivemos a necessidade do uso da força. Apesar de estarmos preparados para qualquer situação, uma vez que a avaliação inicial realizada pelos policiais da própria delegacia mostrava um clima de muita tensão e resistência”, afirmou o Delegado Dilermando Junior.

Para o Delegado Luciano Cunha, esta situação já estava sendo esperada, devido já terem sido realizadas várias tentativas de fugas sem êxito nos últimos meses. “Tínhamos gente do comando do tráfico de drogas entre os presos. Eles afirmavam que não ficariam muito tempo presos. Mas estavam enganados. Agora nossa delegacia não tem mais a mínima possibilidade de abrigar nenhum preso. A carceragem ficou totalmente destruída. Quem for preso nos próximos dias será imediatamente transferido para Belém” declarou o Superintendente interino da Região dos Campos do Marajó.

Durante a revista as celas e aos presos, os policiais encontraram ainda seis celulares e alguns estoques feitos de ferro, além de muita sujeira pra todos os lados.

(DOL, com informações do repórter Dário Pedrosa)

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