Alemã com espírito comunista revolucionário, Maria Bergne – conhecida no Brasil como Olga Benário – chegou ao país em 1935, junto com Luís Carlos Prestes, onde viveu clandestinamente até o ano seguinte, quando, mesmo grávida, foi deportada para a Alemanha de Hitler. Defensora de igualdade de direitos e atuante na luta contra injustiças sociais, aquela que foi entregue a Gestapo e morta na câmara de gás utilizada pelos nazistas, teve a história transcrita em biografia e virou filme no Brasil. Nas Águas Lindas, em Ananindeua, um loteamento recebeu seu nome, em homenagem.
No loteamento, ao final da passagem Santa Cecília – em menção à santa que sofreu asfixiada por vapores d’água, mas sobreviveu e que, posteriormente foi golpeada na cabeça por três vezes e resistiu por três dias –, o corpo de um adolescente com marcas de tiro na cabeça e pescoço atraía o olhar de curiosos.O lugar que leva o nome de duas mulheres fortes que lutaram contra o “sistema” – o nazismo e a opressão religiosa, respectivamente, teve como alvo um adolescente conhecido somente como “Ferrugem”, que segundo relatos de vizinhos, foi engolido pelo “sistema”.
Suposto usuário de drogas e praticante de pequenos assaltos nas redondezas, o adolescente não tem nome conhecido, contrapondo com o lugar onde morreu, batizado em homenagem a duas mulheres de nomes e personalidades firmes.
Às 3h de ontem os vizinhos ouviram disparos, mas não tiveram coragem de verificar o que havia acontecido.
INVESTIGAÇÃO
A criminalidade e violência no local só permitiram sanar a curiosidade após a chegada da polícia, quando os vizinhos ouviram os barulhos de sirene e foram à rua constatar o homicídio do adolescente que chamavam de “Ferrugem”, cuja morte vai ser investigada pela Divisão de Homicídios.
(Diário do Pará)
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