A relação entre mãe e filho deve ser de cumplicidade – através dela recebemos os principais valores, aqueles que carregaremos para toda a vida. Contudo, para Brendo Falcones de Araújo, que acaba de alcançar a maior idade, essa cumplicidade se destinou a outros fins. Ele e a mãe, Jurema de Araújo Paes, de 39 anos, são suspeitos da prática de tráfico de drogas no município de Marituba.
Flagrados pela Ronda Tática Metropolitana (Rotam), na noite de quarta-feira (29), por volta das 23h, com eles foram encontradas seis pedras de óxi e cinco petecas da mesma substância, em pó e embaladas para a venda. De acordo com o cabo PM Ricardo, a guarnição estava em ronda pelo conjunto residencial Almir Gabriel, antiga ocupação Che Guevara, quando encontrou Brendo em uma esquina com as cinco petecas.
“Quando ele viu a guarnição, ainda tentou fugir, mas nós conseguimos abordar e revistar ele”. Ainda de acordo com o cabo da PM, o suspeito também usava uma arma de brinquedo, similar a um revólver calibre 38, apreendido e encaminhado com os entorpecentes para a Central de Flagrantes de Marituba. Segundo Brendo Falcones, a réplica foi comprada por R$ 10, do mesmo homem de quem comprou as drogas.
Ao ser interrogado pelos policiais, para que indicasse onde estava o restante do entorpecente, o jovem indicou a casa onde vive com a mãe. “Quando ela viu a gente se aproximando, correu para dentro da casa e trancou tudo”, relata o cabo. Os PM bateram na residência e em revista encontraram a droga “entocada” dentro do forno, na cozinha. “Dentro do forno estavam as seis pedras que seriam usadas para fazer mais petecas”, conta o PM.
QUEM COMANDA
Para a imprensa, Brendo Falcones de Araújo afirma que a mãe não tem qualquer envolvimento com o tráfico, que tudo foi arquitetado por ele. “Eu vou responder, mas ela não tem nada com isso. Ela nem sabia que eu tinha comprado”, declara. Ainda de acordo com o jovem, ele seria iniciante no mundo do crime, tendo caído no primeiro dia de venda. “Comprei hoje, é minha”, confirmou.
O suspeito afirma que comprou de um homem que passou de bicicleta e ofereceu as pedras de óxi por R$ 50, com o pacote vinha a falsa arma a R$ 10. “Eu ia vender por R$ 100”, faz as contas do lucro que teria se “a casa não tivesse caído”. Para a polícia ele afirma que apenas aceitou a oferta de dinheiro fácil e não conhecia o traficante que vendeu as pedras para ele, e ainda reforça que a mãe não sabia de nada.
No entanto, moradores do conjunto Almir Gabriel afirmaram para a guarnição da Rotam que a mãe de Brendo é a verdadeira mentora do comércio realizado pelo filho. “Ela é que seria a traficante, e o filho, seu ‘aviãozinho’. Ele diz que começou agora, mas a denúncia da população é que ele já vende há bastante tempo”, afirma o cabo PM Ricardo.
A arma de plástico encontrada com ele seria exatamente para evitar ações por parte dos moradores. “Era uma maneira de causar medo e intimidar a vizinhança, para evitar denúncias à polícia”, completa o PM. O filho foi autuado por tráfico de drogas e a mãe por associação para o tráfico, ele permanece na Secional de Marituba e a mãe será encaminhada para uma unidade de atendimento feminino.
(DIÁRIO DO PARÁ)
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