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POLÍCIA

Alunos de escolas diferentes brigam entre si

Em frente ao Colégio Estadual Paes de Carvalho, localizado no bairro do Comércio, uma árvore chama a atenção. Vista da altura dos olhos, ela se confunde com as outras que ocupam os canteiros da Praça da Bandeira e não aparenta qualquer anormalidade. No en

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Em frente ao Colégio Estadual Paes de Carvalho, localizado no bairro do Comércio, uma árvore chama a atenção. Vista da altura dos olhos, ela se confunde com as outras que ocupam os canteiros da Praça da Bandeira e não aparenta qualquer anormalidade. No entanto, basta olhar para cima para perceber algo curioso. Penduradas de forma aleatória, várias camisas de uniformes de outras escolas estaduais enfeitam os galhos.]

O fato, difícil de ser compreendido em um primeiro momento, esconde uma realidade que originou brigas como a que ocorreu no último dia 24, envolvendo alunos das Escolas Estaduais Pedro Amazonas Pedroso e Costa e Silva. Apesar de ambas as escolas estarem localizadas na avenida Almirante Barroso, a quilômetros do Paes de Carvalho, o confronto entre os estudantes, a árvore com “frutos” esquisitos e uma preocupação estranha de muitos alunos da rede estadual estão interligados.

Na sexta-feira à noite da semana retrasada (24), na esquina da avenida Tavares Bastos com a Almirante Barroso, um grupo de alunos foi responsável por cenas que assustaram os moradores daquela área do bairro do Souza. Sem motivo aparente, os alunos do Pedroso e do Costa e Silva começaram a trocar provocações e partiram para a agressão física. A Polícia Militar precisou ser acionada. Três viaturas foram deslocadas para a área a fim de dispersar a confusão. Segundo o sargento Vinenti, os estudantes provocaram atos de vandalismo, quebrando lixeiras e placas de sinalização para atirarem uns contra os outros. Ninguém foi detido.

De acordo com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), não existem rivalidades entre escolas públicas. O confronto entre estudantes do Pedro Amazonas Pedroso e Costa e Silva, afirma a secretaria, foi o primeiro do ano envolvendo grupos de aluno da rede estadual. A Seduc garante que episódios como o do dia 24 são fatos isolados e não refletem a atual realidade do sistema público de ensino. Os alunos, porém, têm um discurso diferente. Devido às rixas, muitos estudantes optam por levar uma segunda camisa dentro da mochila porque se sentem inseguros caracterizados com o uniforme de sua escola.

IEP e Paes de Carvalho. Pedroso e Souza Franco. Mário Barbosa e Celso Malcher. Casos de brigas envolvendo alunos das escolas citadas já foram registrados pelo DIÁRIO. Em agosto do ano passado, por exemplo, alunos da Escola Estadual Visconde de Souza Franco levaram um grande susto quando, segundo testemunhas, alunos do Pedro Amazonas Pedroso e Marechal Cordeiro de Farias ameaçaram invadir o prédio. No início do último mês, adolescentes que supostamente estudam no Vilhena Alves e Ulisses Guimarães trocaram provocações em frente à Praça do CAN. Depois da confusão, os jovens foram encaminhados para a Divisão de Atendimento ao Adolescente (Data) e um ônibus da linha Presidente-Vargas/Nazaré terminou depredado. A situação não é exclusiva de escolas de Belém. Em outras capitais, como Campo Grande, Salvador e Belo Horizonte, episódios semelhantes já aconteceram.

Estudantes contam que têm medo

Segundo os alunos, estudantes de escolas que possuem rivais em comum costumam combinar previamente os confrontos. E.L, 17 anos, cursa o terceiro ano na Escola Estadual Vilhena Alves. Ano passado, ele diz que o prédio da escola sofreu uma ameaça de invasão quando grupos vindos de duas escolas rivais se concentraram nas imediações da instituição. “Tem torcidas organizadas em cada escola, algumas têm até músicas com palavrões provocando as outras. É mais um grupo pequeno que acaba incentivando os outros. A maioria briga e não sabe nem porque tá brigando”, conta. O aluno informa que as camisas de escolas rivais são roubadas e exibidas como troféus.

Segundo E.L, as provocações costumam começar com depredações em escolas rivais ou ameaças verbais. Para o estudante, o fato preocupa porque os alunos envolvidos nas brigas não fazem distinção entre os estudantes de outras escolas. Sobre a alegação da Seduc afirmando que esta realidade não existe, E.L discorda com um sorriso. “Realmente esse ano as coisas, pelo menos aqui, estão um pouco melhores. Mas a Seduc não deveria dizer que isso não existe porque existe, sim. Acho que deveriam investir mais em atividades culturais, esportivas e escolas em tempo integral pra ocupar o tempo de quem faz essas confusões”, opina Ustrud.

Testemunhas dizem que confrontos são violentos

José Rodrigues Souza, 51 anos, há 20 anos trabalha como vendedor ambulante em um ponto em frente à Assembleia Paraense. Diariamente, José presencia o ir-e-vir de alunos das escolas situadas na avenida Almirante Barroso. Ele conta que já foi testemunha de inúmeras confusões envolvendo estudantes e que as brigas acontecem frequentemente. “Eles ficam todos reunidos aqui em frente, às vezes na passarela ou no canteiro do BRT. Quando passa o grupo da outra escola, eles correm para dar pedrada. Teve uma vez que acertaram a pedra no vidro do ônibus e ele caiu em cima de uma mulher gestante. A gente que teve que socorrer ela”, fala. Na opinião de José, a viatura da Polícia Militar que faz ronda na área não intimida totalmente os jovens.
Aldo Bastos, 45 anos, trabalha a alguns metros de José. Na área há 14 anos, o ambulante conta que as cenas de violência e vandalismo na avenida Almirante Barroso acontecem há, pelo menos, dez anos. “Isso aí é muito sério. A pista fica cheia de pedras depois que eles passam. Já teve até tiro para o alto aqui por causa disso. Fica complicado trabalhar”, reclama. M.H, 16 anos, aluno do 1ª ano do Pedroso, diz que as brigas são motivadas por provocações e por antigos desentendimentos. “Ninguém sabe quem começou com isso. Mas é coisa de pouca gente, sim, eles que ficam incentivando os outros. Acaba sobrando para quem não tem nada a ver”, lamenta.

Alunos preferem andar descaracterizados

Por baixo do tradicional uniforme da Escola Estadual Paes de Carvalho, D.E., 16 anos, aluna do primeiro ano, costuma vestir uma blusa comum. “Eles correm atrás da gente para arrancar a camisa. Se tu não deres, eles te ameaçam. Eu tenho medo, sim. Essa rixa tanto existe que tá aí a árvore”, comenta a aluna. M.U., 16 anos, estudante do primeiro ano, lembra que a rivalidade entre as escolas fica nítida no tradicional desfile escolar do Dia da Raça. A aluna, que também prefere andar descaracterizada, diz que já foi ameaçada quando um colega de uma escola rival foi até o Paes de Carvalho falar com ela. “Disseram que eu tinha que parar de falar com ele, se não, no próximo encontro eu também iria apanhar”, denuncia.
Davi Moreira, 29 anos, é estudante do ensino técnico do IEP e faz parte do Conselho Estudantil da escola estadual. Davi mostra um vidro, no interior da escola, que já foi depredado em um dos confrontos com escolas rivais. “Os alunos antigos, que acabaram virando professores, dizem que isso vem do tempo deles. Mas a rivalidade era saudável, não era violenta. Na verdade, quem faz isso são pessoas ligadas a gangues, essas coisas. Eles que acabam instigando os outros a brigar”, explica. Na opinião de Davi, graças ao trabalho desenvolvido com parceria entre alunos e Seduc, os conflitos estão mais raros. “Alunos de outras escolas vêm aqui sem problemas, por exemplo. Eu saio uniformizado, pego ônibus com gente de outras escolas e também nunca tive problema nenhum”, comenta.

Seduc trabalha com prevenção

A Seduc conta que trabalha de forma preventiva para evitar casos de confrontos entre alunos das escolas públicas. As ações, segundo a secretaria, ocorrem de forma integrada com o Comando Independente de Policiamento Escolar (Cipoe), comunidade escolar, pais de alunos e Unidades Seduc na Escola (USEs). A 6ª Unidade Seduc na Escola (USE 6), por exemplo, localizada na Escola Estadual Mário Barbosa, bairro da Terra Firme, criou um observatório para monitorar quaisquer episódios envolvendo violência escolar nas instituições da área. Em fevereiro, a USE 6 promoveu ação preventiva envolvendo instituições como Pro Paz, Divisão de Atendimento a Criança e Adolescente e Centro de Defesa da Criança e Adolescente.

A Seduc, no entanto, não tem um quadro indicando quais escolas suspostamente seriam rivais, pois não reconhece que estas rixas existam. Heloísa Aguiar, assessora de segurança escolar da secretaria, afirma que as confusões são oriundas de grupos isolados. “Na escola, nós recebemos todos os tipos de pessoas. Ela nivela todos através da educação. Os casos de violência são um reflexo da nossa sociedade. Se fosse algo generalizado, nós não poderíamos realizar os jogos escolares, por exemplo”, pondera.
Para a assessora de segurança escolar, todos são corresponsáveis por promover a cultura de paz e brigas como a do último dia 24 não devem instigar novas confusões. Aguiar afirma, ainda, que é preciso cuidado ao associar a imagens de estudantes a casos de violência e citou como exemplo o episódio do dia 20 de maio. Na ocasião, dois jovens foram presos em flagrante, na avenida Nazaré, depois de assaltarem um ônibus. Apesar de estarem vestindo uniformes da Escola Estadual Vilhena Alves, ambos não estudam lá.

(Diário do Pará)

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