A agressão a um menino de 9 anos por parte de cinco adolescentes do mesmo colégio, terça-feira passada, apavorou não somente os pais que possuem filhos na Escola Municipal Ida de Oliveira, no conjunto CDP II, em Val-de-Cães, mas também toda a sociedade.
A agressão por um motivo fútil deixou marcas no rosto, hematomas pelo corpo e, sobretudo, um grande trauma. “Ele não quer mais ir pra escola. Tem medo até de brincar na rua. Acha que vai encontrar os garotos e vai apanhar de novo”, contou a consultora de vendas, mãe da vítima.
Ninguém teria visto o menino apanhando, segundo a própria criança. Os agressores teriam a faixa etária de 14 a 16 anos. Dois deles estudam na mesma turma do menino, no 4º ano, no período da tarde. “Eu tava brincando de pira-pega com outros colegas na quadra da escola, aí eles chegaram e queriam que a gente saísse para jogar bola. Como eu disse que não ia sair, eles me pegaram, me jogaram no canto da quadra e começaram a me chutar. Eu caí e um deles veio e me deu os socos. Eu consegui me levantar e sai correndo. O guarda não tava. Ninguém viu”, detalhou o menino.
Segundo a mãe da criança, a maior revolta foi pelo fato da escola ter omitido e mentido o fato. “Ligaram mais ou menos cinco horas da tarde, dizendo que era pra ir pegar ele porque ele tinha caído e se machucado. Quando cheguei lá, vi que o roxo no olho dele e as dores que ele sentia pelo corpo não eram só um baque. Foi quando ele me contou o que tinha acontecido e reclamei”, contou a mulher.
Ainda de acordo com ela, teria ficado frente a frente com o adolescente de 14 anos responsável por dar socos no rosto da criança. “Ele era atrevido, bateu boca comigo. Disse: ‘bora arriar’, na gíria deles. Falou na minha frente: ‘eu fiz mesmo’, que não tava arrependido e que faria de novo”, contou. “A minha vontade era de fazer a mesma coisa que ele fez no meu filho, só não fiz por que eu também sou mãe, e sei que a mãe dele não ia gostar de ver ele chegar com o olho roxo em casa”, acrescentou.Ninguém da escola quis falar sobre o caso com a imprensa. A Secretaria Municipal de Educação disse em nota oficial que não teriam sido cinco garotos, mas quatro. Eles teriam sido chamados pela direção da escola com a presença dos pais. “A solicitação de transferência desses alunos foi enviada ao conselho escolar do Ida de Oliveira e o fato já foi comunicado ao conselho tutelar. A diretora também já reuniu com os servidores, alunos e professores da escola com o objetivo de coibir esse tipo situação.
(Diário do Pará)
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