Hoje, dia 15 de junho, é celebrado o Dia Mundial de Enfrentamento à Violência contra a Pessoa Idosa. E mesmo hoje, muitos casos ocorrem e são registrados pela Polícia Civil do Estado. Os mais denunciados são: maus-tratos, abandono, violência psicológica e física. Outra queixa é a de parentes que se apropriam de pensões e benefícios dos idosos.
Dados do disque denúncia 100 mostram que 90% dos casos de violência ocorrem dentro do domicílio, e em 60% dos registros os filhos são os principais agressores. Ainda na manhã de ontem, a Seccional Urbana da Cidade Nova, uma das unidades da região metropolitana de Belém que mais combate e orienta famílias sobre este tipo de crime, registrou um caso muito próximo ao que é apontado pelas pesquisas.
João Batista Cardoso, 41, foi detido ontem pela Polícia Militar e enquadrado na Lei Maria da Penha após ser denunciado pela sobrinha por maus-tratos à própria mãe, uma idosa de 71 anos. A neta da vítima, que mora no segundo andar da casa, conta que os insultos e maus-tratos já aconteciam há muito tempo e já foram presenciados por toda a família. “Isso é algo de anos e anos”, declarou ela.
Na manhã de ontem, após ter passado a noite bebendo, ele teria dado murros na geladeira e exigido que a idosa preparasse a comida dele. A neta da vítima não tolerou as agressões verbais e desceu para tomar uma atitude. Segundo ela, o homem já partia para cima da mãe a ponto de agredi-la fisicamente quando foi surpreendido. A jovem acionou a polícia e denunciou a situação. O nome de nenhum familiar será divulgado para preservá-los.
“Ele já me ameaçou de morte e eu estou grávida. Ele já foi com um facão para a rua tentando agredir um vizinho. Até passagem por suspeita de estuprar uma criança ele tem”. A neta da idosa conta ainda, que não vivia mais no estado e voltou recentemente por causa da gravidez. Após alguns dias convivendo e ouvindo a rotina da idosa, diz que não suportava mais presenciar aquilo.
“Os irmãos nem vão mais lá em casa por causa dele”, conta uma das filhas da idosa e irmã do suspeito. O homem vivia à custa da aposentadoria da vítima, que segundo a família, não reagia pelo fato de ser mãe e ficar com pena dele. “Ela faz a comida e ele chega da rua bebido. Depois sai raspando tudo e ainda leva para os amigos vagabundos dele, deixando ela com fome”.
Depois de um tempo, a neta conta que a idosa passou a ter que separar um pouco de comida para ela e esconder no guarda-roupa. Frágil a idosa não manifestou opinião e parecia assustada com toda a situação na seccional. De acordo com Moreira, chefe de operações da Polícia Civil, o suspeito será mantido afastado da vítima e irá responder pela Lei Maria da Penha, permanecendo na Central de Triagem da Cidade Nova até decisão da justiça.
(Diário do Pará)
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