Na sexta-feira passada, as duas centrais de flagrante e mais três seccionais urbanas da Região Metropolitana de Belém (uma das mais violentas do Brasil) não registraram grande movimentação de meia noite às 6h da manhã, porém, conforme denuncia o Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Pará (Sindpol), esse cenário pode ser a consequência de disponibilizar apenas cinco lugares para registros de ocorrência durante 24h e eventuais pedidos de socorro a 1,4 milhões de pessoas, que dá uma média de uma delegacia disponível para cada 280.000 pessoas.
“Se uma pessoa for assaltada no Jurunas por volta de 1h da manhã, será que ela terá condições psicológicas e até mesmo financeiras de se dirigir até São Brás, algo que ela dificilmente fará se não conseguir pagar um taxi?”, pondera Rubens Teixeira, presidente do Sindpol. Dilema semelhante viveria uma vítima de Benevides, mas com um agravante. Após conseguir se dirigir até a Seccional Urbana de Marituba, ela possivelmente encontraria os servidores dentro de uma sala com as luzes apagadas e dormindo, conforme o DIÁRIO tem presenciado por madrugadas seguidas.
Há ainda o questionamento de que, se três pessoas ao mesmo tempo chegarem a uma central de flagrantes e solicitar diligência urgente para capturar um suspeito, será que haveria infraestrutura e pessoal disponíveis para realizar tais ações, o que poderia ser otimizado caso as delegacias ainda funcionassem. “Se as pessoas não têm disponibilidade para registrar denúncias, é claro que os índices de violência vão diminuir e a necessidade de contratação de mais servidores vai ser mascarada”, afirma Rubens.
As Centrais de Flagrante foram reativadas em 2011, com a justificativa de que isso desafogaria as delegacias, dando maiores condições para que os delegados pudessem trabalhar melhor os inquéritos e evitar que eles mofem nas gavetas. Elas funcionam em São Brás, Cidade Nova e também há funcionamento em tempo integral nas seccionais urbanas da Marambaia, de Icoaraci e Marituba. Os delegados das delegacias integradas a estas unidades ganham mais tempo para trabalharem de dia e deixam de cumprir plantão durante a noite onde os casos registrados são em menor número, em média três por plantão noturno, conforme justificou a Delegacia Geral da Polícia Civil à época da reimplantação.
(Diário do Pará)
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