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POLÍCIA

Moradores são reféns do medo no Icuí-Guajará

Olhares desconfiados, moradores cientes de onde está o perigo e o medo de delatar criminosos e sofrer represálias. Esta é a realidade de muitos bairros, considerados “áreas vermelhas”, onde a criminalidade se impõe como um desafio para os órgãos de segura

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Olhares desconfiados, moradores cientes de onde está o perigo e o medo de delatar criminosos e sofrer represálias. Esta é a realidade de muitos bairros, considerados “áreas vermelhas”, onde a criminalidade se impõe como um desafio para os órgãos de segurança pública, que têm como um dos principais aliados a própria população no combate à violência. No bairro do Icuí-Guajará, em Ananindeua, três assassinatos foram registrados no último final de semana. A chamada “lei do silêncio” rege o dia a dia de grande parte da população.

A delegada Maria Cristina Esteves trabalha com a hipótese de que, pelo menos dois assassinatos, tenham sido motivados por pessoas interessadas em acabar com uma quadrilha de assaltantes. Ao menos duas vítimas integravam um grupo de criminosos que atuava no bairro. Já Everaldo Oliveira, 42 anos, teria sido assassinado na noite de domingo (23) por conta de dívidas com traficantes do bairro. A família da vítima, no entanto, desacredita desta hipótese.

Assuntos como tráfico e homicídios são tratados com cuidado pelos moradores do Icuí-Guajará. Muitos desconversam, outros preferem não se identificar. Entre eles, o comerciante Samuel Dias, 61 anos, que admite conhecer os riscos de manter seu pequeno comércio. “Eu tô aqui há quatro anos e nunca me aconteceu nada. Deus é nosso protetor. Esses tempos tá bem melhor comparado ao que era. Agora, que ainda é perigoso, não resta dúvidas”, comenta.

P.L, 28 anos, trabalha no Icuí-Guajará e também atua como Policial Militar. Para ele, os crimes que teriam sido motivados por “acertos de contas” têm alvos certos. “Na maioria das mortes, as vítimas têm envolvimento com coisa errada. A gente até sabe quem é, vê na rua, mas eu não posso te dar nomes, apontar. Tenho família...”, fala.

De acordo com o Policial Militar, há uma insatisfação dos agentes diante das brechas previstas na Legislação e na atuação do Judiciário. “Eu já cheguei a abordar um elemento com 19 petecas de pasta-base. Levei ele para a Delegacia, ele foi autuado e dois meses depois já tava solto. Depois, prendi de novo o mesmo cara com oito petecas. O próprio delegado falou: ‘Se o juiz mandou soltar com 19 petecas, imagine com oito...’”, conta P.L.

Segundo a assessoria de comunicação da Polícia Militar, o bairro do Icuí-Guajará faz parte da 18ª Área Integrada de Segurança Pública (18ª Aisp/ 3ª Zona de Policiamento), cuja responsabilidade é da 2ª Companhia do 6º Batalhão. De acordo com a PM, a cobertura da área é feita com duas viaturas, que funcionam 24 horas, duas motos e mais duas bases fixas. “A região é regularmente atendida nas operações específicas da PM e integrada com os demais órgãos do Sistema de Segurança Pública”, informa em nota.

A assessoria da Polícia Militar orienta ainda que, para quaisquer eventualidades, a população ligue para os números 190 (Ciop), 181 (Disque-denúncia) ou mais especificamente para o telefone do Oficial Interativo da ZPol da área que é 8886-1074 e 8883-6883. Denúncias anônimas também são válidas.

(Diário do Pará)

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