Revoltados com um suposto descaso pela morte de um homem, que foi eletrocutado na manhã de ontem, enquanto prestava serviço para uma empresa de construção civil, em Benevides, amigos e familiares da vítima interditaram um trecho do km 23 da rodovia BR-316 para pedir justiça para o caso. “O meu irmão morreu trabalhando, exercendo uma função que não era a dele e ainda ficou mais de cinco horas jogado em cima de um formigueiro depois de ter recebido uma descarga elétrica. E em nenhum momento houve assistência da empresa, que para completar, ainda tentou enganar a família, forjando um boletim de ocorrência e tentando alterar a cena do crime”, denunciou Elane da Silva, irmã do auxiliar de serviços gerais Denis da Conceição Almeida, morto após receber uma descarga elétrica durante o trabalho.
Segundo os familiares, Denis trabalhava há três meses na empresa de construção civil, que presta serviço para o terminal de cargas Alianza Park, mas durante o boletim de ocorrência, feito pelo gerente, foi relatado que a vítima estava apenas há 20 dias na construtora. “Além disso, o meu irmão foi obrigado a fazer uma função que não era a dele. O Denis não tinha experiência nenhuma como eletricista, a função dele era serviços gerais. Mas como uma caçamba da empresa tinha derrubado uma fiação elétrica, o gerente da construtora pediu para ele ajeitar a fiação e ele fez. Mas acabou pagando o erro dos outros com o própria vida. Além de morrer eletrocutado, ele ainda ficou jogado no chão como um indigente por várias horas”, revelou a irmã da vítima.
O protesto durou cerca de três horas. Primeiro, os manifestantes seguiram em cortejo com o corpo da vítima, que saiu da casa da família no bairro do Canutama, em Benevides, e seguiu por dois quilômetros pela rodovia BR-316, na pista de sentido à Belém, interditando o tráfego de veículos. Depois, o cortejo parou em frente do canteiro de obras do terminal de cargas Alianza Park, no Km 23 da BR, onde a outra pista foi interditada e os manifestantes atearam fogos em pneus e gritavam palavras de ordem como “Justiça para um trabalhador”.
“Tudo o que a gente quer é que a morte do Denis não caia no esquecimento. Ele morreu trabalhando, sendo obrigado a exercer uma função que não era dele e isso não pode ficar assim. O Denis era uma ótima pessoa, sempre disposto a ajudar os outros, tanto que a maioria das pessoas que estão nesse protesto é vizinha e amigos dele. Queremos justiça! Quem morreu foi um trabalhador e não um indigente, essa empresa precisa se retratar!”, afirmou revoltada, a dona de casa Rosseliny de Oliveira, vizinha da vítima.
No boletim de ocorrências sobre o caso, registrado na Delegacia de Benevides pelo gerente da empresa KBV, Kleinilson Brito Veloso, consta que o auxiliar de serviços gerais ainda recebeu ajuda médica e que a empresa também prestou assistência aos familiares da vítima, mas a informação foi negada pela família. O DIÁRIO entrou em contato com a empresa KBV prestação de serviços, acusada de negligência na morte do auxiliar de serviços gerais, mas até o fechamento desta edição não obteve retorno.
O protesto causou um grande congestionamento nos dois sentidos da pista. A manifestação só terminou com a chegada de homens da Polícia Rodoviária Federal, que após uma negociação com os manifestantes, conseguiu desobstruir a via.
(Diário do Pará)
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