A suposta vida envolvida com assaltos e com o tráfico de drogas teria sido um possível motivo que levou ao assassinato de um adolescente de 17 anos, na madrugada de ontem. Ele estava dormindo ao lado da namorada quando três criminosos encapuzados arrombaram a sua casa de madeira de um cômodo, o acordaram e efetuaram três disparos. Dois deles acertaram a vítima que morreu deitado na cama sem chances de socorro. O crime foi no Loteamento 28 de Agosto, bairro do 40 Horas, por volta das 2h, em uma área de difícil acesso.
A namorada do jovem, de 16 anos, conversou com o DIÁRIO e contou que acordou quando um dos criminosos já estava ao lado da cama do casal, com uma arma na mão. Ela disse que imaginou que tudo não passava de um sonho. Não era.
“A gente estava dormindo e um deles deu um chute na porta, que a arrombou. Logo depois já vi um deles ao lado da cama. Ele era baixinho, estava sem camisa e trajava uma bermuda. Eram três e todos estavam encapuzados. Eu pensava que eu estava sonhando, mas ele estava com a arma na mão e eu ainda pedi para não o matarem. Ele disse: ‘tu não tem nada a ver com isso’. E deram três tiros”, contou.
Informações de testemunhas à polícia confirmaram que um veículo, de modelo e placa ainda não identificados, estaria dando apoio aos criminosos. O carro teria ficado estacionado antes da entrada do loteamento, na Rua São Francisco. Após o baleamento, os criminosos teriam voltado para o veículo e fugiram para destino ignorado.
“ACERTO DE CONTAS”
O soldado PM Pará, da viatura 8305, da 18ª Área Integrada de Segurança Pública (Aisp)/6º Batalhão de Polícia Militar (BPM), contou que a guarnição recebeu a informação através do Centro Integrado de Operações (Ciop 190) sobre disparos de arma de fogo no endereço, mas ao chegarem ao local já encontraram o adolescente morto.
“As informações que chegaram para a gente foram que três homens encapuzados invadiram a casa do adolescente que dormia com a namorada, e atiraram somente nele. Pelo o que soubemos ele seria envolvido com assaltos. Um irmão dele já até foi assassinado por envolvimento em crimes de assalto. Tudo indica que foi um acerto de contas”, falou.
A mãe do jovem, que pediu sigilo da identidade, contou que o filho já havia sido apreendido na Divisão de Atendimento ao Adolescente (Data), mas alegou desconhecer o ato infracional que a vítima cometeu e se ele estava sendo ameaçado de morte por algum suposto inimigo.
Poucas informações foram dadas por testemunhas, possivelmente, por ser uma área considerada “vermelha”. Porém alguns moradores disseram que o adolescente venderia e usaria drogas no local onde foi morto.
DIFÍCIL ACESSO
A cada passo cauteloso na ponte de madeira que levava até a casa da vítima, que era a última de uma ponte, os moradores – sejam acordados pelos tiros ou pela movimentação dos outros vizinhos – apontavam a direção do local onde o homicídio havia ocorrido, quando perguntados sobre o endereço. O local era escuro e tinha iluminação improvisada.
Eram pelo menos 250 metros de ponte que, em algumas partes era preciso ter bastante atenção para não cair, traçavam o caminho até a casa de um cômodo. O cenário em seu interior era rápido de perceber. Alguns móveis, roupas, objetos pessoais e estirado na cama, trajando somente cueca, estava a vítima.
Os peritos do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves e os policiais civis da Divisão de Homicídios (DH) tiveram dificuldades de chegar ao local. O perito criminal Gilberto Almeida verificou que dos três tiros ouvidos pela namorada e por vizinhos, dois o atingiram. De acordo com ele, um disparo foi na cabeça, que transfixou e saiu pela nuca, e um tiro no peito.
No momento da retirada do cadáver para ser colocado no veículo “rabecão”, os remocistas do Instituto Médico Legal (IML) carregavam o corpo com bastante cautela, para não caírem na lama e nos córregos que passavam embaixo das pontes.
O assassinato foi registrado na Seccional Urbana da Cidade Nova. Até o final da madrugada de ontem nenhum criminoso havia sido identificado pela polícia.
(Diário do Pará)
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