Nesta quarta-feira (26), 20 internos do Centro de Recuperação Regional de Altamira – município da Região Xingu - participaram do encerramento das aulas do Programa Brasil Alfabetizado (PBA), que começaram em abril deste ano, por meio de uma parceria entre a Superintendência do Sistema Penitenciário (Susipe) e a Prefeitura Municipal de Altamira.
A Secretaria Municipal de Educação do município (Semed) solicitou ao governo federal incentivo para implantar o programa na casa penal. “As aulas foram muito produtivas. Hoje, todos já conhecem o alfabeto e podem assinar o próprio nome”, informou a professora do projeto, Frankcedrina da Rocha.
Segundo Marizângela Fuckner, gerente da Divisão de Educação da Susipe, mais de 20 Unidades Prisionais do Pará já participam do programa. Atualmente, os 16 Centros de Recuperação da Região Metropolitana de Belém são atendidos pelo PBA, com o apoio da Secretaria de Estado de Educação (Seduc). “O projeto é uma importante ferramenta de reinserção social, e nós estamos seguindo a meta nacional de erradicação do analfabetismo. A nossa meta é alfabetizar toda a população carcerária do Pará até 2014”, anunciou Marizângela Fuckner.
No Brasil, mais de 12 mil detentos já foram beneficiados pelo PBA. Criado em 2003 pelo Ministério da Educação (MEC), o programa busca, com a alfabetização, oferecer o acesso à cidadania e elevar o nível de escolaridade da população. A proposta é alfabetizar jovens, adultos, idosos, indígenas e presos no prazo de oito meses.
O programa está implantado em quase duas mil cidades brasileiras, que apresentam os maiores índices de analfabetismo. Nas casas penais, o PBA é uma alternativa para garantir a escolaridade a quem cumpre pena.
Missão - De acordo com o Infopen (Sistema de Informações Penitenciárias), do Ministério da Justiça, mais de 65% das pessoas detidas no país não possuem o Ensino Fundamental completo. No Pará, esse número chega a 57% da população custodiada pela Susipe. “O sistema penitenciário tem a missão de oferecer aprendizado e educação aos internos, tanto que já temos uma nova sala, totalmente climatizada, pronta para receber os internos no próximo semestre”, informou o diretor do Centro de Recuperação Regional de Altamira, Paulo César Alves.
Para o interno Wandenilson Cordeiro, a educação é uma oportunidade de começar uma vida nova. “Vou continuar meus estudos aqui, buscando sempre a capacitação, para que no dia em que eu sair esteja qualificado”, declarou. Para o detento Ilaelson Batista, o conhecimento nas aulas vai muito além das páginas dos livros. “Depois que começaram as aulas eu percebi que falo melhor com as pessoas. Isso me dá muita satisfação, pois a relação das outras pessoas comigo também é mais agradável”, concluiu.
(DOL)
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