Os crimes com requintes de crueldade e que demonstram a frieza dos assassinos em não estarem dispostos apenas em matar, mas de estraçalhar, destruir, deformar as vítimas continuam a ser registrados na Região Metropolitana de Belém. Neste caso, pelo menos 25 facadas, um tiro e incontáveis pauladas da cabeça não só mataram o foragido de justiça por homicídio Robson Santos Tavares, 27, como trucidaram o cadáver. O crime foi no início da madrugada de ontem, por volta de meia-noite, na passagem Rainha Elisabeth, na Invasão Favelinha, no bairro do Icuí-Guajará, em Ananindeua. Os motivos ainda são desconhecidos.
Segundo informações de testemunhas, Robson estaria consumindo bebidas alcoólicas com dois homens em uma esquina próxima do local do crime. Em um dado momento, eles foram para o final da rua, para supostamente usar drogas. Foi quando teria ocorrido uma discussão. Posteriormente, a vítima correu e cinco disparos foram ouvidos.
Robson, na tentativa de salvar a própria vida, correu para um terreno escuro ao lado de uma casa, mas somente um dos tiros o atingiu nas costas e ele caiu. Foi quando a dupla de assassinos começou a sessão de barbárie. Depois fugiram a pé.
Acionado para atender uma ocorrência de disparo de arma de fogo, o soldado PM Ernani, da viatura 8305, do 6º Batalhão de Polícia Militar (BPM), disse que Robson era foragido da Colônia Agrícola Heleno Fragoso, onde respondia pelo crime de homicídio.
“A vítima estava bebendo na esquina com dois amigos e depois foi para o final da rua. Houve alguma discussão, ele veio correndo, levou tiro e, depois de cair, levou várias facadas e golpes com uma estaca de madeira. Ele era foragido da colônia por crime de homicídio e morava aqui na Favelinha há um mês. Ele também era viciado em drogas. Encontrei um papelote de maconha perto do corpo”, disse.
A polícia identificou dois suspeitos do crime. Um deles pelo prenome de “Diogo”, que seria assaltante, e o outro pelo apelido de “Dodó”, que seria traficante de drogas, ambos da área do Icuí-Guajará. Até o final da madrugada de ontem eles não haviam sido localizados.
BRUTALIDADE
A estaca de madeira, utilizada no crime, era uma perna-manca usada como cerca do terreno para onde ele tentou fugir. Uma das extremidades, pontiaguda, que ficava fincada na terra, estava toda suja de sangue. Ela foi arrancada e aproveitada para trucidar o rosto e a cabeça de Robson.
Moradores da passagem onde ocorreu o crime comentaram, sem se identificar, que ouviram os cinco tiros e, em seguida, gritos de dor, o barulho das pauladas e alguns ainda escutaram as vozes dos assassinos.
“Eu tava em casa, na sala, e ouvi os cinco tiros. Depois só ouvi os gritos dele, e foram muitas pauladas que deram. Duraram uns cinco minutos, só o barulho de paulada. E um deles ainda dizia pro outro: ‘Bate mais! Bate mais nele!’. Foi horrível! E bateram muito nele, mas não vi nada”, disse um deles.
Além de ser um local de difícil acesso, sem qualquer pavimentação asfáltica, iluminação precária, o medo de quem mora nas redondezas é unânime quando se pergunta sobre o perigo de assaltos e a prática de crime de tráfico de drogas. “Aqui a gente fica com um olho fechado e outro aberto, amigo. É muito perigoso morar aqui”, declarou.
Policiais da Divisão de Homicídios (DH) e peritos do Instituto de Criminalística (IC) do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves estiveram na cena do crime, levantando informações sobre o caso.
Segundo a perícia, fora as pauladas na cabeça, a vítima levou um tiro nas costas, 4 facadas no pescoço, 3 no braço, 3 no queixo, 2 perto dos olhos e 13 no peito. A perita criminal Virgínia Paiva não teve dúvidas de que os criminosos foram somente com o intuito de assassinar Robson.
“Encontramos várias lesões no rosto e no crânio da vítima, provocadas pelos golpes da estaca de perna-manca. Um tiro nas costas e várias facadas pelo corpo, pelo menos 25. No exame de necropsia, podem aparecer mais lesões, mas o que conseguimos localizar foram 25 facadas e um tiro na região escapular direita. Sem dúvidas alguma, quem o matou estava com bastante raiva e com vontade de matá-lo”, declarou.
PODIA TER ESCAPADO
O cabo PM Antônio Nascimento, que também atendeu a ocorrência, falou que a vida de Robson poderia ter sido poupada dias antes, quando eles receberam uma denúncia da situação de foragido da vítima.
“Há três dias recebemos uma informação anônima de que ele era foragido. Fomos até a residência dele, aqui próximo, mas, ao chegarmos ao endereço, a esposa dele nos deu uma certidão de nascimento falsa com outro nome. Só agora, quando fomos chamá-la pra identificar o corpo aqui no local, foi que ela disse o nome verdadeiro. Ou seja, se ele tivesse sido recapturado nesse dia, ele não teria morrido e estava cumprindo o resto da pena na colônia”, falou.
(Diário do Pará)
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