Na Alameda Manoel, próximo à rua Esperantista, bairro do Coqueiro, em Ananindeua, a testemunha de um crime foi executada. É o que afirmam vizinhos e familiares. O crime ocorreu por volta das 4h de ontem (5) e tem Policiais Militares como suspeitos. A vítima, Luis Paulo Trindade, 22, foi morta com quatro tiros enquanto fugia dos três homens que invadiram sua casa para matá-la.
Segundo a esposa dele – que não será identificada – o casal dormia quando a casa foi arrombada. “Eles usaram um alicate para cortar o cadeado”, conta. E com medo também afirma ter ouvido uma conversa rápida entre o trio. “A gente ouviu eles dizendo ‘vamos matar logo os dois enquanto estão dormindo’”.
Quando a vítima ouviu o trio falando e o barulho ainda perguntou o que era aquilo. “Um deles disse ‘O que é isso? Tu vai morrer’. Eles agarraram meu marido que começou a tentar se soltar deles e eu saí correndo”, conta. A mulher conseguiu se esconder em um matagal. “Eu corri para dentro do mato e ele para o outro lado. Acho que ele tentou salvar a vida do filho dele”. Com pesar, ela conta que está grávida de dois meses e que a tragédia em sua família podia ter sido pior.
PERSEGUIÇÃO
Luis Paulo conseguiu se soltar dos três homens, e saiu em direção à casa de sua mãe, localizada na mesma rua. Perseguido por seus executores, ele foi alvejado em direção ao portão da casa dela. Todos os quatro disparos acertaram o rapaz. “Eram todos gordos, fortes, não sei como ele conseguiu se soltar. Eu só ouvi os disparos, fiquei com medo de sair. Foi a mãe dele quem saiu e começou a gritar por socorro”, conta a esposa da vítima.
O rapaz estava desempregado, mas fazia “bicos”, e não tinha passagem pela polícia. Ele era tido pela vizinhança como trabalhador e honesto. “Todo mundo gostava dele. Era um rapaz correto. Isso foi queima de arquivo”, declarou uma das vizinhas do casal. Policiais Militares da 4ª Companhia do 1º Batalhão afirmaram terem sido chamados por uma senhora na rua, enquanto passavam em ronda. Assim que chegaram ao local, foram até a casa onde a vítima vivia e recolheram o alicate usado para arrombar a casa.
TESTEMUNHA
O jovem Luis Paulo, 22, era testemunha de um crime ocorrido no dia 28 de Maio, na rua Yamada, próximo à Delegacia do Bengui. Ele e o primo caminhavam pela via quando dois homens em uma moto apareceram atirando em direção aos dois. O ataque era direcionado ao adolescente de 17 anos. Ele morreu com um tiro na cabeça, enquanto Luis Paulo foi baleado no ombro e socorrido para o Hospital Metropolitano.
O próprio delegado Renato Wanghon afirmou na época que havia chances da dupla estar aguardando os primos passarem naquela rua para realizar a execução do adolescente. E após sair do hospital, o jovem chegou a denunciar para a Polícia Civil, na Delegacia do Bengui, o nome dos responsáveis pelo crime. Logo depois, teriam começado as ameaças.
AMEAÇA
“Sábado eles já tinham vindo aqui fazer ameaças”. Segundo a viúva de Luis Paulo, de maneira intimidadora uma guarnição da PM “aconselhou” o jovem a não denunciar “injustamente” os homens que ele viu matarem o seu primo. A ficha criminal do adolescente era longa, toda família sabia de seu envolvimento com assaltos. Mas a de Luis era limpa e seu único erro foi estar presente no momento em que o primo foi morto. Segundo a esposa, o medo fez o casal pensar em se mudar por algum tempo. “Ele ia embora para Mosqueiro, passar um tempo por lá”.
DENÚNCIA
Os moradores denunciaram para a polícia o que viram. Segundo eles, os assassinos eram três homens gordos, que chegaram encapuzados e com luvas. E o mais intrigante e confirmado por todas as testemunhas – os três homens usavam fardamento completo da Polícia Militar. Por isso, a presença da PM para guardar o local de crime foi vista com desconfiança. Principalmente quando, contrariando o que é orientado pela perícia, eles retiraram do local o alicate usado para arrombar a casa, antes dos peritos chegarem.
Vizinhos viram o trio fugindo em um carro que aguardava na rua principal. “Teve um vizinho que ainda tentou ir atrás”, contou um dos moradores. Um dos policiais militares, que estava no momento em que a equipe de perícia do “Renato Chaves” e da remoção do IML estiveram no local, é apontado pela família como um dos que esteve na casa da mãe de Luis Paulo para “sugerir” que ele retirasse a denúncia sobre quem havia executado seu primo.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar