Edinaldo Muniz da Silva, 45, vulgo “Cabelo”, foi vítima de homicídio na madrugada de ontem, na passagem Nova I, próximo à avenida Perimetral, bairro da Terra Firme. O crime é o segundo em menos de 24 horas a ter como suspeito um policial militar. “O que sabemos é que ele vinha correndo, sendo perseguido, tentou subir essa escada, mas caiu, já baleado”, conta o sargento PM Farias, que recebeu a denúncia.
Segundo moradores, o policial tido como suspeito trabalha no interior do estado e mora na passagem Nova I. “Ele só aparece quando está de folga. Mas essa não é a primeira vez que ele sai atirando por aqui”, relatam. A esposa da vítima – que não será identificada – conta que o marido estava com outras pessoas no momento do crime. “Ele é usuário [de drogas] e eles estavam fumando, sentados em um banco nessa rua”, afirma.
Alguns moradores também chegaram a afirmar que o policial militar seria uma dessas pessoas. E que seria usuário. “Ele tirou uma vida. Não importa quem ele seja, ou se o meu marido era usuário. Ele tem que pagar pelo que ele fez. O outro [homem que também estaria no local], a bala só não pegou nele, porque ele correu mais rápido e se escondeu”, afirma a esposa de Edinaldo. Essa terceira pessoa não foi encontrada pela polícia.
PERÍCIA
Uma cápsula de pistola calibre 380 foi encontrada no caminho percorrido pela vítima para fugir dos tiros – cerca de 100 metros. Segundo os peritos do Renato Chaves, foram encontradas duas perfurações. “Foi um tiro apenas. Uma perfuração de entrada e uma de saída. Ele [projétil] transfixou o peito da vítima”, explicaram.
Passados cerca de 40 minutos desde o crime e com as Polícias Civil e Militar presentes, alguns moradores começaram a se revoltar com a situação. O suspeito estava dentro do kitnet onde mora, na mesma passagem onde o crime ocorreu e onde o corpo da vítima era periciado. “Ele está lá dentro, escondido e com a arma. Tem que tirar ele lá de dentro”, declarou a esposa de Edinaldo.
INVESTIGAÇÃO
Segundo o delegado Lenoir Cunha, da Divisão de Homicídios, o crime será registrado na Unidade Integrada ProPaz da Terra Firme, por onde ocorrerão as investigações com o apoio da DH. O delegado chegou a bater na casa do suspeito, mas não foi atendido. Cerca de meia hora depois, todas equipes foram embora. “Se eles não fizeram nada [DH] e já vão, nós também não vamos ficar aqui”, declarou um dos PMs ao se preparar para ir embora da frente da casa do suspeito.
Parentes do policial militar afirmaram para o delegado da Divisão de Homicídios que o nome do suspeito é Leonardo Fernandes. E que ele estava lotado no município de Igarapé Miri. Eles também afirmaram que o crime teria sido na verdade uma tentativa dos dois homens – incluindo a vítima – de assaltar a casa do policial.
(Diário do Pará)
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