Nas primeiras horas da manhã de ontem foi encontrado o corpo de um homem que aparentava ter aproximadamente 30 anos na rua da Piçarra, localizada na altura do KM 4 da Alça Viária, no bairro São João, em Marituba. A vítima estava com as mãos presas a uma correia de plástico quando recebeu o tiro na cabeça. Uma cápsula de bala de pistola Ponto 40 foi encontrada no local do crime e moradores da redondeza disseram ter ouvido um disparo ser efetuado por volta das 21h da última terça.
No meio da Região Metropolitana de Belém a área onde o homem ainda anônimo foi levado para ser executado e desovado ainda apresenta características de uma zona rural. Casas distantes uma das outras, bastante mata nativa intacta como cenário, e dificuldade para conseguir acesso a sinal de celular davam o tom nostálgico à selva de pedra que vem se tornando a Metrópole da Amazônia, do ponto de vista da construção civil e da segurança pública.
A cápsula de pistola Ponto 40 encontrada, que é armamento de uso exclusivo da polícia, e até mesmo a forma como as mãos da vítima estavam presas, parecendo algemadas, fizeram com que a hipótese de execução praticada por policial ou ex-policial foi naturalmente levantada. Isso porque, em ações nas quais o número de algemas disponíveis não é suficiente para imobilizar os suspeitos detidos, esse tipo de correia também é utilizado por policiais em serviço.
Porém, “essa ferramenta pode ser encontrada facilmente em qualquer loja de materiais de construção, e é utilizada para amarrar cabos e fios, por exemplo. Não dá pra afirmar que foi um PM”, argumentou o cabo Cruz, que guardou o local do crime juntamente com o comandante dele, o sargento R. Favacho, ambos da 2ª Companhia do 21º BPM. Esteve no local a equipe da Divisão de Homicídios que tomará conta do caso.
INDIGENTE?
A vítima protagonizou mais um dos casos de pessoas desaparecidas que são diariamente registrados em seccionais e delegacias da Grande Belém. Para atender essa demanda de forma humanizada o Centro de Perícias Científicas Renato Chaves (CPCRC) desde 2011 desenvolve o Programa de Cadastro de Cadáveres Ignorados, que reúne diversas informações a respeito do corpo até então sem identificação num banco de dados para que, quando a família for em busca de informações, o acesso a elas seja facilitado.
O cadáver permanece no Instituto Médico Legal localizado, localizado na rodovia Transmangueirão, S/N, durante prazo máximo de 30 dias em câmara fria. Para o caso do corpo ser identificado, para ser removido é necessário o comparecimento de dois familiares consanguíneos portando documento de identificação com foto deles próprios e da pessoa desaparecida, além de comprovante de residência.
Caso o prazo expire, é solicitado pelo CPCRC certidão de óbito a um cartório e é garantido enterro do cadáver na condição de indigente com um código de identificação, cujos jazigos disponíveis a essa demanda encontram-se todos atualmente no cemitério do Tapanã. Uma amostra do DNA ainda é coletada para que mesmo após esse período o corpo possa ter identificação garantida posteriormente.
(Diário do Pará)
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