A Polícia Civil conseguiu prender na noite desta sexta-feira, em Vigia, nordeste do Estado, mais um assaltante acusado de roubar e matar um empresário do ramo da pesca. O bandido estava escondido no mato sendo caçado pela polícia e principalmente pela população, que queria fazer justiça com as próprias mãos. Para não morrer, o acusado foi a uma igreja evangélica se entregar ao pastor.
Felipe Monteiro Barbosa, 22, conhecido por “Mister M”, foi preso depois que um pastor o levou pessoalmente à delegacia do município de Vigia. O acusado estava sendo procurado depois de efetuar dois tiros contra o empresário Francisco de Assis Rodrigues, 53 anos. A vítima morreu na hora e outro pescador ficou ferido depois de ser alvejado com um disparo no peito. O crime ocorreu às 18h de quarta-feira e foi cometido por três bandidos, que pretendiam roubar R$ 30 mil, dinheiro que seria usado para pagar a tripulação de um barco de pesca. Como os pescadores reagiram ao assalto, os bandidos atiraram nas vítimas.
Depois do crime, a polícia prendeu em menos de seis horas o primeiro suspeito, Marcos Jorge dos Santos. Ele se jogou no mar para não morrer nas mãos da população, que lhe agarrou e passou a espancar. Os outros dois bandidos fugiram pelo mato.
As polícias Civil e Militar passaram a caçar os acusados de forma intensa, visto que a população se armou e também queria “fazer justiça”. Com medo de morrer de forma cruel, o segundo acusado do crime se entregou. Felipe Monteiro, o “Mister M”, procurou o pastor de uma igreja evangélica e pediu para que fosse conduzido até a delegacia. Mesmo assim, depois que a população soube de sua prisão, o clima voltou a ficar tenso em Vigia. O acusado precisou ser transferido para Castanhal.
Na Superintendência do Salgado, “Mister M” parecia não se importar com o fato de ter matado um empresário. Ele dava risada e contou friamente como executou a vítima. “Nós fomos lá, né, cara? A gente sabia que tinha dinheiro no barco e fomos meter o bicho. Aí ele (vítima) reagiu e não tive escolha a não ser atirar, porque iam matar o moleque (bandido). Fui eu que atirei mesmo! Não me arrependo”, contou, debochando da situação.
Para a Polícia Civil, o acusado é um elemento extremamente perigoso. “É um dos bandidos mais perigosos que já vi. É frio, calculista e mentiroso. Ele estava no trapiche vendo toda a situação. De lá baleou as vítimas sem dar chance nenhuma de defesa. Fica comprovada a alta periculosidade do individuo, porque já foi preso por tráfico de drogas, assalto e outros crimes. Mesmo assim, fica rindo da situação depois de ter executado um empresário”, disse o superintendente da Zona do Salgado, delegado Luiz Xavier.
Com a prisão de Marcos Jorge e agora de “Mister M”, fica faltando apenas a captura do terceiro envolvido. Mas, para a polícia, Max Santiago dos Santos, o “Camarão”, estaria morto, depois que foi espancado pelos pescadores na embarcação. “Surgiu essa informação de que o ‘Camarão’ estaria morto depois que os pescadores reagiram, espancando e esfaqueando o acusado e depois jogando seu corpo no mar. Mas precisamos comprovar essa informação com o aparecimento do seu corpo. Se ele não estiver morto, pedimos para que se entregue, pois a população de Vigia está revoltada e pode fazer justiça com as próprias mãos”, concluiu Luiz Xavier.
Os dois acusados do crime estão custodiados no Centro de Recuperação de Castanhal (CRCAST), à disposição da Justiça. A polícia pede à população que ligue para os telefones 181 ou 3731–1778 para denunciar o paradeiro de “Camarão”, que ainda pode estar foragido.
(Diário do Pará)
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