Em plena madrugada, nem o sono espantou os curiosos. Para a criançada, parecia que uma apresentação estava sendo feita ali, no meio da rua. Algumas delas chegaram a sentar-se no chão batido, sem a menor preocupação, muito menos por parte dos pais, para verem mais uma cena de crime. Dessa vez, a vítima era alguém bem conhecido por aqueles moradores da rua Diniz da Paz, entre as ruas Pratinha e Santo Antônio, no bairro do Bengui, em Belém.
O usuário de drogas Nilvaldo Felizardo da Conceição, 36, foi assassinado, logo na primeira hora deste sábado, em frente a casa nº 40, onde ele morava. Segundo a companheira do rapaz, também conhecido como “Bengola”, ele teria saído pouco antes da hora em que costuma dormir, em busca de fósforo na residência da cunhada, para fumar um cigarro. Mas lá fora, ele não esperava que algo ruim iria acontecer.
TOCAIA
“Disseram que tinha dois homens escondidos nesse beco, quase ao lado de casa, desde cedo. Eles só esperaram ele sair. Mas acredito que foi engano”, disse Jaqueline Dias para a imprensa. Por outro lado, em boletim de ocorrência, a mulher que convivia com Nivaldo há cerca de nove meses, afirmou que ele era viciado e registrou que uma suposta vingança poderia ter motivado o assassinato.
Ainda de acordo com Jaqueline, os dois homens se aproximaram de Nivaldo a pé, mas teriam escapado em uma motocicleta. “Ele caiu no chão e um deles ainda veio e deu um tiro na cabeça. Minha mãe ainda tentou acudir ele. Ele ainda me pediu ajuda”, contou friamente.
TRÁFICO
A mãe de Nivaldo era a mais emocionada. Ela perdeu um dos quatro filhos e disse que ele a ajudava muito na venda de camarão na feira. A senhora também confirmou o envolvimento do filho no tráfico de drogas, mais uma suspeita para a polícia do crime ter ligação com uma suposta dívida com traficantes.
Jaqueline é deficiente e se recupera de algum problema na perna que preferiu não falar. O companheiro tinha apenas a cicatriz no braço de um tiro que levou alguns meses atrás, mas que Jaqueline também fez questão de não comentar o motivo.
A polícia já tem pistas dos criminosos, baseada em relatos de possíveis testemunhas. O caso deve ser investigado pela Seccional Urbana da Marambaia, onde foi registrado. Foram contabilizadas cinco perfurações espalhadas pelo braço, tórax, perna e cabeça. O corpo de Nilvaldo foi levado para o IML.
Enquanto os peritos criminalísticos do Centro de Perícias estiveram no local colhendo as principais informações na cena do crime, a plateia era numerosa. Desde o menor até o mais maduro trocaram o sono para conferir de pertinho e ainda registrar o “espetáculo” que estava sendo apresentado.
(Diário do Pará)
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