Internas do Centro de Recuperação Feminino, próximo à BR-316, em Ananindeua, realizaram manifestação dentro das celas, na manhã de ontem, pedindo a volta de seis presas transferidas após rebelião na última segunda-feira (15). A Comissão de Defesa de Direitos e Prerrogativas da OAB - que já havia agendado uma visita ao local – aproveitou para conversar com algumas internas para elaborar um relatório sobre a situação carcerária do CRF.
As manifestações começaram logo pela manhã, por volta das 5h30, segundo o tenente-coronel PM Rosinaldo, comandante da Rotam. Ainda de acordo com ele, o clima está tenso desde segunda-feira, quando por volta das 21h, houve novas tentativas de motim. “Algumas internas tiveram que dormir em celas já ocupadas enquanto as grades quebradas na rebelião não eram consertadas. E desde já elas pediam a volta das seis presas”.
Segundo o advogado Jefferson Frank Nascimento, as internas estavam reivindicando também o direito ao banho de sol e de receber visitas no próximo final de semana. Contudo, a suspensão de visitas teria sido além de uma medida disciplinar, uma medida de segurança. “O clima tenso não permite a gente garantir totalmente a segurança desses visitantes”, afirmou o comandante da Rotam. Segundo ele, a presença de 50 homens pertencentes à Tropa de Choque, Rotam, Canil e Comando de Missões Especiais (CME), na manhã de ontem, foi “apenas como uma prevenção”.
TRANSFERÊNCIAS
Dois pavilhões - Primavera I e II - se envolveram na rebelião da última segunda-feira, motivados pela ação de revista das celas após denúncias investigadas pelo Departamento de Inteligência da Susipe. De acordo com elas, as internas usavam celulares com acesso à internet para postar fotos em redes sociais. Ao todo, os agentes encontraram 40 telefones celulares e 150 petecas de substância entorpecente nas celas.
Destas celas foram separadas onze internas e levadas para prestar depoimento na Seccional Urbana da Cidade Nova, onde foram autuadas em flagrante por tráfico de drogas. Seis delas, apontadas como lideranças dentro da penitenciária, foram transferidas para uma cela especial do Presídio Estadual Metropolitano (PEM) II, em Marituba, para cumprimento de medida disciplinar. O comandante da Rotam informou ainda na manhã de ontem que não será concedida a volta das seis presas.
DIREITOS HUMANOS
As denúncias de parentes e das internas sobre a forma como funciona o CRF, e a rebelião no início da semana, teriam levado a comissão da OAB a realizar a visita de ontem. Segundo Aline Costa, 23, prima de uma das internas, “o próprio sistema lá dentro é corrupto. Eles mesmos [agentes] vendem celular, droga, e depois humilham elas, batem”, afirma. “Antes já vinha pouca comida, agora ela [prima] conta que vem menos ainda por causa da quantidade de presas, que está muito maior. Um dia desses, ela disse que nem comeu porque encontrou um tapuru na comida”, relata Aline Costa. Com capacidade para 480 internas, o CRF abriga hoje 575.
A Comissão da OAB, que chegou por volta das 9 horas da manhã ao CRF, era composta por seis advogados do órgão, liderados pelo também advogado Ivanildo Pontes. Além da conversa com as internas e com a nova diretora da unidade prisional, Carmem Botelho, a comissão visitou as áreas atingidas pela rebelião e observou as condições a que as presas são submetidas.
“Nós verificamos situações como falta de água, lotação, e outras denuncias como a truculência da polícia na ação de segunda. Faremos o relatório e exigiremos providências junto aos responsáveis por cada situação”, declarou um dos vice-presidentes da Comissão da OAB, o advogado Braz Mello.
(Diário do Pará)
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