O corpo foi encontrado, na manhã de ontem (21), dentro do quarto em um kit-net onde a vítima morava, na rua Lauro Sodré com a avenida Celso Malcher, bairro da Terra Firme, em Belém. Ulisses Silva de Castro tinha 27 anos e foi visto pela última vez na noite de domingo (18), quando bebia em um bar do bairro. Os peritos afirmam que “é sugestivo que seja um caso de homicídio, mas a perícia ainda não chegou a uma conclusão”, por isso, eles devem retornar na manhã de hoje em busca de novos vestígios.
De acordo com o cabo PM Santos, o proprietário do imóvel foi quem solicitou a presença da polícia. “Estava fedendo muito e os outros inquilinos notaram. Quando arrombamos a porta, ele estava lá dentro, muito inchado devido o tempo”, relata. Ulisses estava de joelhos, com o restante do corpo jogado de bruços na cama. Peritos acreditam que ele estivesse ali desde o domingo em que afirmam que ele teria desaparecido, pelo estado avançado de putrefação. A casa não apresentava sinais de arrombamento, segundo a Polícia Militar, e nenhum documento ou celular da vítima foi encontrado.
Familiares do rapaz estavam inconsoláveis, eles acreditam que ele foi assassinado e esperam que a perícia ajude a apontar o responsável. De acordo com eles, o rapaz não tinha inimizade com ninguém. A única pessoa de quem a família suspeita é do namorado de Ulisses, um rapaz conhecido por eles apenas pelo prenome “Leandro”. Eles namoravam há mais de um ano e a família conta que as brigas eram constantes porque Ulisses queria que o namorado assumisse para a família que era homossexual.
O fato de o rapaz ter a chave da casa da vítima também faz a família acreditar que ele tenha sido responsável pela morte. “Nós trabalhamos juntos em um salão, e desde segunda-feira ele não apareceu para trabalhar. Também não vimos mais esse menino [Leandro] e não tem sinal nenhum de arrombamento. Além do meu irmão, ele era o único que tinha a chave”, afirmou a irmã da vítima. “No dia em que ele saiu do bar, ele estava bastante alcoolizado, mas estava bebendo sozinho, não sei se depois esse rapaz pode ter vindo aqui e encontrado com ele”, conta.
Alguns moradores afirmam ter visto Ulisses chegar com o namorado, mas ninguém o viu sair. “Ele [vítima] é muito grande. De cara nós desconfiamos que era homicídio. O pano parece ter sido apertado no pescoço dele, e não estava pendurado em lugar nenhum”, relata o cabo da PM. A suposição é reforçada pela família. “O namorado dele é tão alto quanto ele, e mais forte, porque ele ainda é um pouco musculoso e o meu irmão não”, diz a irmã de Ulisses.
O corpo foi removido para perícia no Instituto Médico Legal (IML). E como já foi informado pelos peritos, uma nova visita está marcada para hoje no local. “O ambiente está muito difícil de trabalhar, pelo odor e pouca iluminação, é um local muito fechado, temos que trabalhar com máscara. Amanhã voltaremos para olhar todos os detalhes com calma e tentar chegara uma conclusão mais precisa”, afirmou um dos peritos. O caso foi registrado na UIPP da Terra Firme. Até a tarde de ontem, nenhum suspeito havia sido detido ou chamado para depor.
(Diário do Pará)
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