Na casa de apenas um cômodo, sentado na beira da cama do seu quarto, cabeça virada para baixo, com um dos braços apoiado em uma cadeira e o outro esticado, estava José Roberto Gomes Cardoso, de 35 anos, conhecido pelo apelido “Rato”. No piso, logo abaixo do rosto, estava parte da massa encefálica dele. “Rato” foi executado, segundo a polícia, supostamente, em um “acerto de contas” com pelo menos dez tiros, na madrugada de ontem, por volta de 1h, dentro da sua residência, na Invasão Newton Miranda, localizada na Estrada do Fama, em Outeiro, Belém.
De acordo com informações da polícia, a vítima estava dormindo com a esposa e os três filhos pequenos, quando os dois assassinos arrombaram a porta dos fundos da casa. Antes de mata-lo, os criminosos mandaram a mulher e as crianças se retirarem do local.
Familiares de “Rato” contaram que este já teria sido o terceiro membro da família assassinado em circunstâncias semelhantes. Todas teriam sido por envolvimento das vítimas com o tráfico de drogas.
De acordo com o soldado PM Ferreira da viatura 1020, do 20º Batalhão de Polícia Militar (BPM), “Rato” já foi preso por homicídio, seria usuário de drogas e estaria envolvido com o tráfico de entorpecentes.
“Ele morava no bairro Recanto Verde, em Icoaraci e há quatro meses se mudou pra essa casa. Os familiares disseram que ele era homicida, viciado em drogas e estaria também se metendo com tráfico. Nessa madrugada, os criminosos chegaram e o alvejaram com vários disparos. Antes eles mandaram a esposa e os filhos saírem. Pelas características, ele foi executado por ‘acerto de contas’ com o tráfico de drogas”, disse.
Além dos dois criminosos, que ainda não foram localizados, uma mulher teria sido sequestrada e levada ao endereço da vítima. Conforme informações da polícia, a mulher não identificada teria sido forçada a conduzir os criminosos para que indicasse o local que “Rato” morava.
Os policiais militares isolaram o terreno da residência e investigadores da Polícia Civil, através da Divisão de Homicídios (DH), juntamente de peritos do Centro de Peritos do Centro de Perícias Científicas (CPC) Renato Chaves, realizarem suas investigações e análises, respectivamente, na cena do crime.
Segundo a delegada Maria Cristina Esteves, da DH, o caso foi uma execução por supostos envolvimentos da vítima com o tráfico de drogas. O delegado Jurandir Figueiredo, de plantão na Seccional Urbana de Icoaraci, também acompanhou a perícia e o recolhimento de informações sobre o caso.
Devido a brutalidade dos tiros na cabeça da vítima, parte do crânio dele abriu, deixando exposta parte da massa encefálica. O perito criminal Vamilton Albuquerque detalhou que “Rato” foi alvejado com pelo menos dez tiros.
“Encontramos pelo menos dez lesões pelos disparos de arma de fogo, todas com características de entrada. As regiões dos tiros foram no braço, peito e a maioria na cabeça, na altura da testa, que causou essa abertura do crânio dele. Pela posição que a vítima está, ele foi morto quando estava se levantando da cama”, explicou.
Após o levantamento de local de crime, o corpo de José Gomes Cardoso foi removido para a necropsia no Instituto Médico Legal (IML). O assassinato foi registrado na Seccional Urbana de Icoaraci.
(Diário do Pará)
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