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POLÍCIA

Presídio virou palco de guerra entre detentos

Detentos dos regimes fechado e semi-aberto do Centro de Recuperação Agrícola Silvio Hall de Moura (CRASHM) promoveram um motim, na tarde de quarta-feira, 21, durante o almoço. Os presos da ala semi-aberto, ao receberem a refeição, começaram a jogar as mar

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Detentos dos regimes fechado e semi-aberto do Centro de Recuperação Agrícola Silvio Hall de Moura (CRASHM) promoveram um motim, na tarde de quarta-feira, 21, durante o almoço. Os presos da ala semi-aberto, ao receberem a refeição, começaram a jogar as marmitas para dentro do setor do regime fechado.

Na ocasião, revoltados com a afronta dos detentos do semi-aberto, os presos do regime fechado começaram a cavar um túnel. Ao conseguir passar para o pavilhão do semi-aberto por dentro do túnel, os presos do regime fechado travaram brigas com os colegas de presídio.

Homens do Grupo Tático Operacional (GTO) da Polícia Militar foram chamados para conter a rebelião. A imprensa não teve acesso às dependências da penitenciária. Na ocasião não foi permitida a entrada da Comissão de Direitos Humanos da OAB, mas foi questionado com a diretora da casa penal as reivindicações dos presos.

Segundo os policiais militares que estavam de serviço no momento do motim, os detentos atiraram diversos objetos em direção às guaritas, como pedras e pedaços de tijolos. Durante a rebelião ninguém ficou ferido.

Por volta das 16h, de acordo com a Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado do Pará (Susipe), a rebelião foi contida. Quatro detentos foram encaminhados para o Centro de Triagem da Susipe, anexo da 16ª Seccional da Polícia Civil, ainda na tarde de quarta-feira. No local, também foi registrado um tumulto envolvendo os apenados que ontem foram transferidos para o presídio de Americano, em Benevides.

A Susipe diz que os presos protestaram contra a transferência de quatro colegas de cela, supostos líderes na unidade prisional. Durante o motim, os internos teriam quebrado um muro de acesso de um pavilhão para outro e arrancado grades.

Em nota, a Susipe informou que presos do bloco semi-aberto quebraram o muro de acesso ao Pavilhão 4 da unidade prisional e também arrancaram as grades de acesso ao Pavilhão 1. A nota informa que os detentos protestavam contra a transferência de quatro presos identificados pelo Serviço de Inteligência da Susipe como líderes na unidade prisional e que o GTO da PM foi acionado. Diz ainda que na ação, os PMs utilizaram bombas de efeito moral, que ninguém ficou ferido e que o GTO continuará realizando a segurança no CRASHM até que os reparos na estrutura danificada sejam concluídos.

OAB constata que problemas ainda não foram resolvidos

Em visita realizada na manhã de ontem ao Centro de Recuperação Agrícola Silvio Hall de Moura (CRASHM), após a ocorrência de um motim nesta semana, a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subseção de Santarém, constatou alguns problemas que continuam acontecendo naquela casa penal, mas a OAB verificou melhorias na farmácia, que atende a 475 detentos, com remédios no estoque.

Na ocasião, funcionários da Secretaria de Estado de Obras Públicas do Estado do Pará (Seop) analisaram os locais que receberão reforma dentro dos próximos dias. Mas após a rebelião da tarde de quarta-feira, foi constatado que detentos das alas do regime fechado e semi-aberto continuam dividindo os mesmos espaços dentro do presídio.

A diretoria da OAB recebeu denúncia de que uma agente prisional estaria passando a mão na vagina de mulheres que vão visitar parentes, durante a vistoria na entrada da casa penal. A denúncia será apurada.

Entre os problemas mais graves de estrutura do presídio foi observado um esgoto a céu aberto, que lança coliformes fecais dentro do igarapé do Cucurunã. Quem chega ao local se depara com um forte odor e grande concentração de urubus. A comissão analisou também a falta de funcionamento do sistema detector de metal instalado na entrada do presídio.

A diretora do CRASHM, Maria de Lourdes Barradas, justificou que a agente acusada é uma moça séria e que existem pessoas que não conseguiram entender que devem passar por uma revista para visitar parentes dentro da casa penal.

De acordo com o presidente da OAB/Santarém, Ubirajara Bentes Filho, o que foi observado durante a visita foi que ainda existem as mazelas e problemas no presídio, mas que muita coisa já melhorou dentro da casa penal, inclusive no setor de saúde.

(Diário do Pará)

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