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POLÍCIA

Bombeiros resgatam corpo de garçom no rio

Marcos Roberto Ferreira Saraiva, 20 anos, estava desaparecido desde a última segunda-feira, 16, após a rabeta em que estava com um amigo naufragar no rio Guamá. Os dois voltavam para casa, em Belém, quando a maresia mais forte virou a embarcação, por volt

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Marcos Roberto Ferreira Saraiva, 20 anos, estava desaparecido desde a última segunda-feira, 16, após a rabeta em que estava com um amigo naufragar no rio Guamá. Os dois voltavam para casa, em Belém, quando a maresia mais forte virou a embarcação, por volta das 22h, causando o desaparecimento da vítima. Familiares e colegas de trabalho de Marcos faziam buscas desde a terça-feira e informaram aos Bombeiros sobre o local onde ele estaria. O corpo foi rebocado para o trapiche da Universidade Federal do Pará.

Segundo Giovane Tavares, 39, o amigo que acompanhava Marcos na rabeta, assim que a embarcação virou, ele não viu mais o amigo.“Eu chamei pelo nome dele várias vezes, mas não ouvi nada. Não dava pra ver nada também, estava muito escuro, era tarde da noite. Um barco grande passou do nosso lado, eu acenei, gritei, pedi socorro, mas eles não ouviram. Tinha um som alto e naquela escuridão não tinha como eles me verem”, relatou. O rapaz nadou até a margem, na Universidade Federal do Pará, e buscou ajuda, mas Marcos já havia desaparecido no rio.

O Corpo de Bombeiros encontrou o corpo preso às margens do rio Guamá, às proximidades do porto do Ararapari, no município do Acará. Estava em decomposição próximo das linhas de transmissão de energia elétrica. Com apoio da Capitania dos Portos e usando uma lancha, os Bombeiros trouxeram o corpo do rapaz até a orla do Campus da UFPA, no bairro do Guamá. Ali, foi entregue para uma equipe do Centro de Perícias “Renato Chaves”, para necropsia.

O corpo foi removido para o Instituto Médico Legal onde passará por perícia. Por enquanto, a Polícia Civil da Seccional Urbana do Guamá trata o caso como um acidente e aguarda o laudo da perícia para confirmar a morte por afogamento. A canoa do tipo “rabeta” havia sido comprada por Marcos e Giovane para atravessarem o rio Guamá, do porto da praça Princesa Izabel para a ilha do Combu. Os dois trabalhavam de garçom nos finais de semana em um bar que recebe turistas nessa ilha.

A DOR DA FAMÍLIA

A família do rapaz já aguardava a chegada do corpo. Tânia Maria Nascimento, mãe da vítima, contou que Marcos trabalhava como garçom em um restaurante do outro lado do rio Guamá e que sempre realizava aquela travessia.

Desde muito cedo, ontem, familiares de Marcos se concentraram na orla do rio Guamá. Por volta das 8h, surgiu uma informação dada por um vizinho, de que o cadáver tinha sido localizado. De imediato, o pai da vítima, Roberto Saraiva, em embarcação de amigos, deslocou-se para onde os Bombeiros estavam.

Ao descer da embarcação em que viera com o corpo do filho, Roberto disse que tudo tinha sido uma fatalidade e que o filho saíra para passear sem dizer para onde iria e ninguém da família sabia que ele tinha comprado uma canoa.

MILAGRE

O garçom Gilvane, que todos chamam de “Gil”, disse que, após se divertirem muito, já era noite quando decidiram retornar para Belém. “A noite estava boa e voltamos. Ocorre que estava ventando muito, e algumas ondas mais altas jogavam água para dentro da canoa e, enquanto Marcos pilotava, eu tirava água com uma lata”.

Emocionado, contou que uma onda maior virou a embarcação. “Eu bati muito as pernas, fiquei na tona, mas gritei pelo Marcos, meu Deus! Ele sumiu”.

“Não sei como me salvei. Eu pedi a Deus, naquele momento, que me salvasse, me ajudasse...nadei muito no rumo de Belém. Parecia que a água nunca acabava. Foi quando vi aquele foco de lanterna. Eu tava salvo. Eram os vigilantes da UFPA que viam eu me debater e me puxaram. Foi Deus. Um milagre!”

Segundo Giovani, “depois de mais de 20 minutos que eu fiquei lá com os vigilantes, descansando, pedi ajuda para procurar o Marcos.

Avisei a família dele, e chamei os Bombeiros. Eles vieram, mas disseram que estava muito escuro. Não poderiam fazer nada. Ainda deram umas voltas n’água, mas só”.

O naufrágio e afogamento de Marcos Roberto foi registrado na Polícia e deverá ser instaurado um inquérito pela Seccional da Cremação, para apurar os fatos. O garçom Gilvane já está intimado para prestar depoimento.

(Diário do Pará)

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