Segundo a versão dos assaltantes Cleison da Conceição Cabral, de 19 anos, e Diogo Amaral Barros, de 18 anos, o assalto a uma oficina de reparos de lancha, na avenida Pedro Alvares Cabral esquina da passagem das Flores, no bairro do Telegrafo, era “parada dada”.
No local, segundo a versão dos ladrões, havia R$ 10 mil e joias, e estava fácil para roubar. O que eles não contavam era com o olho “mágico” de um mototaxista, que do seu ponto viu os dois homens com uma arma de fogo entrarem na oficina.
Sem despertar suspeita, o mototaxista saiu em busca de uma viatura e logo no meio do quarteirão encontrou com a viatura do sargento Ofir, que chegou ao local do assalto não dando chance deles escamparem, mas culminou com a tomada de um refém, solto após muita negociação.
Pelo rádio, o sargento Ofir pediu apoio de viaturas da área que logo cercaram todo o local, evitando qualquer possível situação de fuga pelos assaltantes, que portavam um revólver calibre 44 de uso restrito e grande poder de fogo.
Cleison da Conceição e Diogo Amaral não titubearam e com a vítima transformada em escudo humano se iniciou uma tensa negociação com o sargento Ofir e no gerenciamento da crise o tenente Rabelo. Eles pediram primeiro dois coletes à prova de balas, no que foram atendidos. Exigiram também a presença da imprensa para resguardar suas integridades físicas.
O DIÁRIO foi o “divisor de águas” para o término da crise que já se arrastava por meia hora, com os ladrões trancados dentro da oficina. Quando precisavam de um contato tinham que levantar a “porta sanfona” da oficina.
Garantidos que seriam levados diretamente para Central de Flagrantes, os dois assaltantes ainda tiveram de avistar seus familiares no meio da multidão e sob as lentes da câmera do DIÁRIO eles se renderam. Foi preciso muita energia por parte dos militares para conter a multidão que gritava exigindo a entrega dos mesmos para dar-lhes uma lição.
A vítima ainda muito abalada com a situação traduziu o sentimento de quem fica com uma arma apontada para cabeça e com gente que não tem nada a perder. “Eles diziam que não iam fazer nada comigo, mas é uma situação de impotência difícil de descrever. Não tem um jeito de acabar com esses assaltos com reféns?”, reclamou a vítima.
O momento mais tenso foi na hora da rendição. Sem ter o que negociar, Cleison Conceição e Diogo Amaral se viam acuados. Mas finalmente a arma foi jogada no chão e eles se renderam, sendo algemados e levados para Central de Flagrantes em São Brás.
Quando os policiais militares que estavam na ocorrência foram verificar a arma, foi descoberto que ela não estava municiada. “Este tipo de arma é de grande poder de fogo, mas atualmente é muito difícil conseguir munição pra ela e quem tem usa apenas para meter medo dado o tamanho dela”, afirmou o sargento Ofir.
Na Central de Flagrantes os indiciados não tiveram como negar o crime e foram autuados por roubo qualificado, ficando à disposição da Justiça. Diogo Amaral já tem passagens na Justiça onde pegou seis meses de cadeia por roubo. Cleison Conceição é novato no sistema.
(Diário do Pará)
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