A polícia deve investigar para descobrir quem é o dono de uma van clandestina cujas pessoas que já foram vítimas de assaltos a chamam de “van do terror”, que faz a linha Guamá, Condor, Jurunas, e que acabou se envolvendo em mais um assalto com reféns na Região Metropolitana de Belém, na noite de sábado.
Pessoas que foram “depenadas” em ações dentro desta van branca, sempre com quatro pessoas, sendo um motorista e três cobradores, denunciam que eles saem à noite e enchem de passageiros. Em determinado local, os “cobradores” trocam de lado e anunciam os assaltos em quem está como passageiro na van, deixam em algum local e continuam a trafegar normalmente.
O fio da meada começa a ser desfeito após o tiro sair pela culatra. No sábado (5), segundo Lucimauro Ribeiro, uma das vítimas, ele pegou a van em São Brás com destino ao Jurunas e, em seguida, quatro homens que já estavam no carro se levantaram. Um deles, de posse de uma arma de fogo, anunciou assalto. “Eles foram limpando os passageiros desde quando passamos pelo Ver-o-Peso, mas, na Roberto Camelier com a Quintino, surgiu um motociclista, que percebeu o assalto e efetuou um tiro no pneu da van, momento em que o motorista parou o carro e saiu, deixando a porta aberta. Quando dois deles iam fugindo, foram atingidos novamente, aí esse vagabundo fez refém”, disse Lucimauro Ribeiro.
A primeira viatura a dar combate na situação foi a do sargento Silva Dias, que foi deslocado pelo Ciop para a rua Roberto Camelier com a travessa Quintino, onde havia uma situação de reféns e troca de tiros. O sargento Silva Dias foi o negociador juntamente com o cabo Melo e quem gerenciou a crise foi o capitão Edlins.
“Foi uma negociação tensa com os criminosos, que, mediante a grave ameaça, mantinham as vítimas sob a mira do revólver, exigindo a presença da imprensa, de familiares, coletes balísticos e socorro para os dois meliantes que estavam feridos como condição se renderem”, disse o sargento Silva Dias.
Instalada a crise, os assaltantes somente se renderam com a chegada da equipe do DIÁRIO e, em seguida, outra equipe da RBA/TV, liberando os reféns e entregando a arma, enquanto o motorista da Van desapareceu, deixando os “cobradores no fogo” depois que foram presos.
Eles foram identificados como Dheive Rodrigo da Silva Vinagre, de 20 anos, Gabriel Augusto Brito Ferreira, de 23 anos, e Cleiton Silva Moraes, de 18 anos, responsáveis pelo pânico que viveram os passageiros da “van do terror” na noite de sábado em Belém.
Bando confessou assaltos a passageiros
O DIÁRIO acompanhou com exclusividade toda a ação policial que resultou na prisão de Dheive Rodrigo da Silva Vinagre, Gabriel Augusto Brito Ferreira e Cleiton Silva Moraes, durante a tomada de reféns dentro de uma van na rua Roberto Camelier, esquina da travessa Quintino Bocaiúva, no bairro do Jurunas.
Gabriel Augusto Brito Ferreira, que se disse mecânico, confessou que estava em companhia de Cleiton Silva Moraes e Dheive Rodrigo da Silva Vinagre e mais outro bandido, que saiu no meio dos reféns quando estes foram liberados e planejaram o assalto na rua onde moram, sendo que a arma pertence a Dheive Rodrigo, o que foi confirmado através do depoimento de Cleiton Silva Moraes à delegada Rosalina Arraes.
A informação mais importante era de Dheive Rodrigo da Silva Vinagre, que foi o assaltante que manteve as vítimas sob a mira de um revólver calibre 38 municiado. Na maior “cara de pau”, ele confessou a tomada de reféns e não identificou quem era o quarto elemento que estava no assalto.
Ele disse que nunca foi preso. No entanto, comprou a arma na feira do Ver-o-Peso por R$800,00 e, pelos cálculos da PM, eles vinham praticando assaltos diariamente, utilizando a “van do terror”, um dos veículos clandestinos que circulam em Belém à noite.
Os policiais militares estranharam que o motorista da van tenha desaparecido após a rendição dos assaltantes. Ele teria sido orientado a ir à Central de Flagrantes, em São Brás, onde seriam feito os procedimentos, mas até fechar o flagrante o mesmo não compareceu.
Dheive Rodrigo da Silva Vinagre e Gabriel Augusto Brito Ferreira foram baleados na perna por um “motociclista fantasma”, considerado pelos passageiros como “anjo da guarda”, e levados ao PSM da 14 de Março e juntamente com Cleiton Silva Moraes. Depois foram autuados em flagrante por roubo qualificado.
(Diário do Pará)
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