Três membros de uma mesma família morreram em acidente na BR-230 na manhã desta quarta-feira. O acidente aconteceu à altura do quilômetro 14, às proximidades do assentamento Belo Vale. Morreram Antonio Vieira Rodrigues Filho, 39, Greisi do Nascimento Carvalho, 32, e Samuel Pacheco Carvalho, de apenas sete anos. As vítimas trafegavam numa moto Bros preta, placa OBZ-7635. A moto estava sendo pilotada por Antonio Filho e seguia na pista no sentido Itupiranga-Marabá quando colidiu com um micro-ônibus, placa NGV-0412, Marabá-PA, que vinha em sentido contrário.
O micro-ônibus saiu de Marabá às 6h20 e, ao passar por uma ponte de concreto, no Km 14, uma camionete D-20, placa KDC-8400, seguia no mesmo sentido.
O capô da camionete levantou quando passou pela ponte, ofuscando a visão do motorista, cujo nome não foi fornecido para a reportagem, e que estacionou o veículo à margem da pista. O motorista do micro-ônibus tentou evitar a colisão com a traseira da D-20 e tentou fazer uma ultrapassagem pela esquerda, mas havia um buraco ocupando meia pista da rodovia. E foi exatamente neste local que houve a colisão frontal entre a moto e o micro-ônibus. Os passageiros da moto morreram instantaneamente.
Mesmo com o descaso do governo em relação à conservação da pista, somado à pane da camionete D-20, talvez o acidente pudesse ter sido evitado se a rodovia contasse com área de acostamento, pois o motoqueiro poderia usá-la como válvula de escape.
Este raciocínio foi muito bem observado por vários passageiros do micro-ônibus e condutores que trafegam diariamente por aquela rodovia, entre eles o presidente da Coopermab, Raimundo Bento Pereira Neto. “Todos os dias corremos risco de morte. Esta rodovia há décadas está abandonada e agora temos de conviver com um trauma desses”, denuncia.
Motorista ainda tentou evitar a colisão
O presidente da Coopermab, Raimundo Bento Pereira Neto contou ainda que o motorista do micro-ônibus, Josias Cecílio, se esforçou ao máximo para evitar a colisão, tanto que a moto bateu na quina do veículo, do lado do motorista. “Foi uma fatalidade, ele não teve culpa, o grande responsável é o governo federal que não conserva a pista e nós motoristas estamos suscetíveis a acidentes diariamente”, comentou.
“É vergonhoso o que acontece no Pará. Esta pista há décadas já deveria ter sido asfaltada, mas continua matando as pessoas em tragédias como esta”, sentencia o professor Manoel Santos Andrade. Ele também trafega diariamente na Transamazônica e faz o trajeto entre Marabá e Itupiranga. “Sabemos onde estão os buracos, mas nem sempre é possível evitar cair em um deles, e foi exatamente o que aconteceu aqui”, acrescenta.
Os levantamentos preliminares deste acidente foram realizados por agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), tendo à frente o inspetor Alexandre Sampaio. Ele deve se encarregar de formatar o laudo que deve definir a dinâmica do acidente. Compete à Polícia Civil, porém, instaurar inquérito a fim de ouvir os envolvidos e levantar qual o grau de responsabilidade de cada um dos atores.
Para a família das vítimas sobra a desolação por perder três pessoas numa tragédia que pode ter sido causada por puro descaso e falta de conservação da rodovia Transamazônica.
(Diário do Pará)
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