Nem só de relatos emocionados e de fé vive o Círio de Nazaré. Nas redes sociais, a maior festa religiosa do Brasil também ganhou histórias de violência e agressões: segundo relatos de testemunhas, houve casos de truculência por parte da Polícia Militar.
Um dos casos teria ocorrido na madrugada de sábado (12), na travessa Dr. Moraes com avenida Governador José Malcher, no bairro de Nazaré. A internauta Débora McDowell conta que o trecho da rua estava interditado pela Semob por conta do Círio, mas sem nenhum agente da autarquia no local para fiscalização. Um vídeo resgistrado por testemunha mostra momentos da confusão no local.
Segundo ela, os motoristas retiravam os engradados que interditavam a esquina. “As pessoas que ocupavam a rua [no trecho em frente a um bar] se responsabilizaram por interditá-la novamente e explicar aos motoristas que a mesma fora fechada pela tal autarquia”, explica.
Em seguida, continua a internauta, a PM chegou abrindo as grades para os carros passarem. “Alegávamos que, já que eles haviam contrariado a ordem de uma outra instituição (a Semob), deveriam permanecer ali e se responsabilizar pelo descumprimento da mesma, que consequentemente recairia sobre os frequentadores do bar”.
Débora conta que começou uma discussão. Um dos clientes teria pegado o celular para filmar, quando o PM puxou o aparelho de sua mão. A internauta conta que seu namorado passou mal com a confusão e acabou sendo levado, junto com ela, pela viatura da PM até o Pronto Socorro da 14 de Março.
“Agora estamos em casa, aguardando a intimação para depor – que pode nem vir a chegar. Estamos cientes de nossos direitos, assim como estamos cientes de que a corregedoria da Polícia Militar, uma instituição fechada e corporativista, não é a solução”, acredita.
Veja aqui o vídeo com momentos da confusão
TRUCULÊNCIA
Outro caso foi divulgado pela coluna Repórter Diário, do jornal Diário do Pará. Ainda no sábado, o jornalista e documentarista Francisco Weyl teria sido agredido por um policial militar (identificado apenas como F. Dias). A vítima não teria atendido a uma ordem para interromper filmagens que fazia da procissão, na Praça da República lotada de devotos de Nazaré. “Levou socos e pontapés depois de explicar que, como professor de antropologia visual, tinha o direito de fazer imagens”, diz a nota.
MAIS AGRESSÕES
Já na madrugada de domingo (13), o repórter fotográfico Wildes Lima contou que foi vítima da agressão de dois PMs, ao tentar registrar as prisões de pessoas envolvidas em tumulto às proximidades da Basílica de Nazaré, após a queima de fogos.
Ele foi atacado com spray de gás lacrimogêneo, ameaçado de prisão e impedido de realizar seu trabalho.
Os autores da agressão não foram identificados, pois não estavam com a identificação no uniforme.
O fotógrafo vai registrar a agressão na Corregedoria da PM.
OUTRO LADO
O DOL enviou e-mail para a Polícia Militar solicitando posicionamento sobre os casos.
(DOL)
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