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POLÍCIA

Fugas e rebeliões assustam moradores de São Brás

Moradora de um residencial que fica atrás da Seccional Urbana de São Brás, na travessa Castelo Branco, a dona de casa, que prefere não ter o nome divulgado, afirma que já perdeu as contas de quantas fugas de detentos testemunhou. “Em uma das fugas, em jun

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Moradora de um residencial que fica atrás da Seccional Urbana de São Brás, na travessa Castelo Branco, a dona de casa, que prefere não ter o nome divulgado, afirma que já perdeu as contas de quantas fugas de detentos testemunhou. “Em uma das fugas, em junho do ano passado, os presos ainda invadiram o prédio onde eu moro e fizeram vários moradores daqui reféns”, revelou a mulher, que faz terapia duas vezes por semana para diminuir o trauma vivido nas mãos dos detentos.

A realidade da dona de casa é compartilhada por outras dezenas de pessoas que moram, estudam ou trabalham às proximidades da Seccional de São Brás. O medo e a insegurança vividos pela vizinhança da central de triagem já se tornou rotina, segundo o taxista José Almeida, 74 anos. Há dez anos trabalhando em um ponto de táxi a poucos metros da seccional, o motorista afirma que vários colegas já testemunharam fuga de internos do centro de triagem. “Eu mesmo vi apenas a fuga desse domingo (13), mas meus colegas aqui do ponto já testemunharam essa cena várias vezes. Os presos pulam o muro na maior ‘cara de pau’ e saem andando pela rua como se nada tivesse acontecido. E, como sempre, a polícia só aparece muito tempo depois”, critica o taxista, que por medo prefere não trabalhar à noite.

A insegurança durante as fugas dos detentos também é sentida de perto por alunos, pais de alunos e funcionários de uma creche que fica ao lado da seccional. De acordo com o Mayke Fonseca, que tem uma filha de menos de um ano matriculada na escola, a falta de segurança na seccional acaba pautando a rotina da creche. “O ensino daqui é muito bom. E disso eu não tenho o que reclamar, mas o fato de a escola ser praticamente grudada com uma seccional lotada de presos nos deixa muito apreensivos. As nossas crianças permanecem num risco constante. E se é ruim para quem apenas estuda aqui, imagina para aquelas crianças que passam a noite na escola”, ressalta o pai da aluna.

Em junho do ano passado, a creche teve o telhado quebrado após uma fuga de pelo menos 18 detentos. Na noite do último domingo, a história se repetiu. Segundo um funcionário da entidade, os detentos entraram no prédio antes da evasão definitiva da seccional. “Apesar do susto, graças a Deus, ninguém da escola foi vítima”, explicou o funcionário, que evitou dar mais detalhes da ação. A direção da escola não quis falar com a imprensa. Segundo o filho da diretora, a direção foi orientada pela polícia a não fazer comentário sobre a fuga. De acordo com informações da assessoria de comunicação da Superintendência de Sistema Penal do Pará (Susipe), dos 19 detentos, apenas dez foram recapturados. Os demais permanecem foragidos.

(Diário do Pará)

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