“Esse contexto festivo é um forte indutor para a busca da fuga”. A frase foi proferida pelo titular da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe), o tenente coronel André Cunha, durante coletiva realizada na tarde de ontem para esclarecer os episódios ocorridos durante o domingo do Círio, quando internos das centrais de triagem de São Brás e Cremação se rebelaram.
Na Seccional Urbana de São Brás, 19 detentos fugiram por volta de 18h30, após cavarem duas paredes. Apenas 10 foram recapturados. Segundo André Cunha, a corregedoria foi acionada e deve iniciar os procedimentos de investigação logo. “Os agentes não trabalham armados. Ainda assim, foi possível reunir policiamento rápido para tentar conter a fuga e capturar alguns”, disse.
A escavação, de acordo com o superintendente, foi possível graças a pequenos objetos que serviam para raspar a parede. “Provavelmente foi um trabalho de horas. Por serem muitos, eles deveriam se revezar. Quando concluíram a primeira parede, na cela da triagem, eles passaram pela sala de reconhecimento e cavaram outra que dá acesso à travessa Castelo Branco”, explicou André, que destacou ainda que a sala de reconhecimento é pouco usada, apenas para casos em que a vítima precisa reconhecer o acusado.
Entre as justificativas apresentadas, para o caso de são Brás, ele aponta a possível ausência de alguns agentes que estariam acompanhando outros internos em atendimento hospitalar. “Vamos verificar tudo isso. Mas, quando alguém que é detido precisa de cuidados médicos, é obrigação do sistema encaminhar um agente para estar lá, já que, a partir do ato de autuação, essa pessoa já está sob nossos cuidados”, argumentou.
No local existem 113 presos. A capacidade máxima no espaço é para 120, ou seja, abaixo da lotação. Os presos fugitivos serão autuados criminalmente e uma sindicância interna será aberta para apurar a fuga.
O motim ocorrido por volta das 22h de domingo na Central de Triagem da Cremação deixou feridos dois agentes prisionais. Reinaldo Machado Leão teve a mão cortada durante a ação dos internos, passou por uma cirurgia e ainda está internado, mas com quadro de saúde estável, segundo informações do superintendente. O agente prisional Thiago Cardoso Cardias também ficou ferido no motim. Ele teve ferimentos leves e foi liberado logo após avaliação médica.
Para controlar a ação dos presos, foram acionados o Comando de Operações Especiais (COE), Rotam e Batalhão de Choque. Após intensas negociações, eles invadiram a unidade prisional para resgatar os dois funcionários que eram reféns na unidade. Tiros de borracha e bombas de efeito moral ajudaram a dispersar os internos. Seis detentos foram atingidos por tiros de borracha e cinco deles foram atendidos no Hospital Metropolitano. O quadro de saúde deles também é estável.
De acordo com André, os presos forçaram um curto-circuito na fiação elétrica e, em seguida chamaram os agentes informando que um deles estaria passando mal. “Um terceiro agente, percebendo a movimentação, trancou os portões e acionou a polícia, evitando a fuga”, contou o tenente coronel. A capacidade máxima na unidade da Cremação é de 80 vagas, mas atualmente a central conta com 152 internos.
(Diário do Pará)
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