A Polícia Federal cumpriu, na manhã de ontem, 17 mandados de prisão preventiva, três mandados de prisão temporária e 20 mandados de busca e apreensão em todo o país. No Pará, Suely da Costa Santana, 50, foi detida dentro de casa, no bairro da Pedreira, em Belém. Com ela, a polícia encontrou um veículo, modelo Corsa Sedan, preto, notebook e outros objetos que seriam fruto do suposto envolvimento dela com o tráfico de drogas. O companheiro da paraense, Jacome Tavares Vieira, também foi preso em Colider, no Mato Grosso. Ambos, segundo a PF, são membros de uma quadrilha e devem aguardar a decisão da Justiça Federal do Estado do Mato Grosso.
A operação “Touro Branco” visa desarticular quadrilhas especializadas no tráfico internacional de drogas. Ela também aconteceu em dez cidades do Mato Grosso, Goiânia, Rio Grande do Norte, duas cidades de São Paulo e três municípios do Pará. As investigações iniciaram há um ano e meio, quando foi descoberto que a droga chegava à região da fronteira de Mato Grosso com a Bolívia via aeronaves e ficava escondida em áreas rurais daquela região até ser repassada para os comerciantes da mercadoria ilícita.
Em Santarém, duas pessoas estão sendo investigadas, mas ainda não foram presas. Já em Paragominas, o único suspeito envolvido na quadrilha já está preso por outra ação criminosa e recebeu a notificação da preventiva.
De acordo com a Polícia Federal, no aeroporto de Santarém foi apreendida uma aeronave pertencente a Jacome, tipo monomotor, com capacidade para quatro pessoas e com vários equipamentos, como rádios de comunicação e outros materiais utilizados nos voos. “Tanto Suely quanto Jacome movimentam valores, fazem pagamentos, depósitos, transferências e outras transações bancários e comerciais em nome da quadrilha. Jacome, que é piloto, fez várias viagens para Bolívia para adquirir droga. Em algumas dessas viagens pelo Brasil, Suely o acompanhou”, diz a assessoria de comunicação da PF. “A quadrilha adquiria droga na Bolívia, Peru e Colômbia e trazia para Belém. Eles não pegavam na cocaína, faziam apenas o trâmite comercial”, explicou Fernando Sérgio, assessor.
O Juízo Federal de Cárceres determinou ainda o bloqueio de bens e valores de propriedade dos suspeitos. Vale ressaltar que o nome da operação foi dado em “homenagem” às negociações feitas pelos traficantes que eles utilizavam no momento que tentavam simular a compra e venda de gado.
Até o final da terça-feira, 11 pessoas supostamente envolvidas no esquema foram detidas, sendo que duas já estavam nas penitenciárias no Mato Grosso.
Suely foi encaminhada ontem ao Centro de Recuperação Feminino (CRF) e aguardará decisão judicial, assim como os demais presos, que terão de apresentar as defesas na Justiça Federal do Mato Grosso, onde tramita o processo. A Polícia Federal relatará o inquérito policial e fará o encaminhamento para a Justiça.
(Diário do Pará)
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